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ONU pede que Brasil acelere crescimento econômico

Uma grande parte do crescimento da economia brasileira é no setor informal e não é capturada nas estatísticas oficiais.

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Redação (04/07/06)- As Nações Unidas conclamaram ontem (03/07) o Brasil a acelerar o crescimento econômico e ter melhor governança para se aproximar dos objetivos de desenvolvimento do milênio, que incluem erradicar até 2015 a extrema pobreza e a fome.

O relatório anual de avaliação dos objetivos estabelecidos pela comunidade internacional mostra que várias regiões do mundo começam a ganhar a luta contra a fome, o ensino básico tem aumentado, mais crianças sobrevivem nas nações emergentes, as mulheres aumentam sua participação no mundo do trabalho e o desmatamento diminui.

A Ásia lidera o declínio da pobreza global, graças à expansão econômica na China e Índia. Já a América Latina progride menos rapidamente nesse combate, com 9% da população sobrevivendo com cerca de US$ l por dia, mas apresenta bons resultados em outros objetivos.

Para o subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Mark Malloch Brown, as reformas na América Latina não resultaram nas mesmas ” mudanças dramáticas ” nas condições de vida das pessoas, como aconteceu na Ásia, por duas razões: ” Primeiro, por causa de economias rígidas, com surpreendente baixo nível de comércio regional, e segundo, o nível de desigualdade estrutural é tão alto que mesmo quando há um grande crescimento, o resultado fica com a elite muito rica e não tem o mesmo impacto. ”

Malloch defende a necessidade de maior crescimento no Brasil para atingir os objetivos do milênio argumentando que, pelo tamanho de sua economia, o país tem ” dramático efeito ” contra a pobreza. ” Uma grande parte do crescimento da economia brasileira é no setor informal e não é capturada nas estatísticas oficiais. Mas o fato é que o Brasil é uma economia, como muitas outras na América Latina, com muitos problemas estruturais, muito desigual, o crescimento não atinge os pobres nem melhora a pequena renda da classe média em nível suficiente para realmente estimular a demanda doméstica ” , disse.

Ele elogiou progressos ” muito significativos ” nos indicadores sociais do Brasil graças a reformas ” iniciadas por Fernando Henrique Cardoso e seguidas pelo presidente Lula ” . Mas ressalvou que isso não repercutiu o bastante na redução da pobreza regional, o que exige ” melhor governança para alcançar esse objetivo ” .

Numa referência indireta ao confronto entre políticas populistas e de reformas na América Latina, Malloch ” aposta ” no momento na abordagem econômica e social do presidente Lula. Mas considera ” perfeitamente razoável ” que outros governos na região queiram ” experimentar um pouco diante da frustração dos pobres resultados na área social ” .

O primeiro objetivo do milênio, de cortar pela metade a proporção de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia, vem sendo bem sucedido. Mais de 250 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza desde 1990. A fome crônica também declinou, mas ainda havia 824 milhões de pessoas afetadas por essa miséria nos países em desenvolvimento.

Hoje, 86% das criancas no mundo em desenvolvimento vão à escola. A taxa mais alta é na América Latina e Caribe, com 95% das criancas. A região também mostra sinais ” encorajadores ” na promoção das mulheres no mundo do trabalho, embora a desigualdade continue, com salários mais baixos, por exemplo. A redução da mortalidade infantil também fez progressos na América Latina, Ásia e norte da África. A América Latina igualmente fez o maior avanço na vacinação infantil.

As populações dos países em desenvolvimento têm mais acesso a água potável e escolarização. O outro lado é que algumas doenças reaparecem, como a tuberculose, que mata 1,7 milhão de pessoas por ano.

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