Produtores da região oeste do Paraná e de Santa Catarina estão a mais de 600 km do Porto de Paranaguá
Com aumento da produção cresce preocupação com possíveis gargalos logísticos no Oeste de PR E SC

Com aumento da produção e da expectativa em relação a mercados externos, cresce a preocupação com possíveis gargalos logísticos, já que os produtores da região oeste do Paraná e de Santa Catarina estão a mais de 600 km do Porto de Paranaguá. Uma saída prevista para os próximos anos é a Nova Ferroeste, cujo leilão deverá ser realizado no segundo semestre de 2023, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
A Nova Ferroeste terá um total de 1.567 km e vai passar por 66 municípios do Paraná, de Santa Catarina e do Mato Grosso do Sul. A linha principal vai conectar Maracaju (MS) ao Porto de Paranaguá. Dois ramais estão previstos, um deles entre Cascavel e Foz do Iguaçu, o que permitirá o transporte de carga da Argentina e do Paraguai, e outro entre Cascavel e Chapecó (SC), no centro de um dos maiores polos de proteína animal do país.
A ligação entre Cascavel e o Porto de Paranaguá deverá estar em operação nos primeiros sete anos de contrato, a um custo de R$ 11,5 bilhões. Já a execução da ferrovia que ligará Mato Grosso do Sul, Foz do Iguaçu e Santa Catarina será definida pela empresa ou consórcio vencedor, com um orçamento previsto de R$ 21,3 bilhões.
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A redução do custo logístico é estimada em 28% e o Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental prevê a circulação de 38 milhões de toneladas de grãos e contêineres no primeiro ano de operação. Deste total, 26 milhões devem seguir com destino à exportação, com destaque para proteína animal processada e congelada, milho e soja.
Boa parte da produção de grãos do Mato Grosso do Sul, da Argentina e do Paraguai tem como destino as empresas do oeste paranaense e catarinense, para uso como ração na suinocultura e na avicultura. Em Foz do Iguaçu, o ramal que se conectará com Cascavel vai atrair carregamentos de grãos cultivados na Argentina e no Paraguai.
“Essa ferrovia tem potencial para transportar 70% da exportação de suínos e aves de todo o Brasil”, diz Luiz Henrique Fagundes, coordenador do Plano Estadual Ferroviário. “Estimamos uma redução de até 30% no custo com logística, o que vai dar mais competitividade para os produtos dos três estados, do Paraguai e da Argentina. Os produtores ganharão novos mercados, com margens melhores, e gerarão reinvestimentos”.
Segundo Fagundes, a Nova Ferroeste vai solucionar dois gargalos logísticos do estado, na Serra da Esperança, na altura de Guarapuava, e na Região Metropolitana de Curitiba. Atualmente as composições cortam a capital, o que gera impactos na cidade e reduz a velocidade do transporte. O novo traçado passará ao sul de Curitiba e acompanhará a área de domínio da BR-277 até o litoral.
“Hoje, um contêiner que sai de Cascavel leva cinco dias para chegar a Paranaguá. Com a Nova Ferroeste, vai reduzir para 20 horas”, estima Fagundes. “A cada 5 mil toneladas exportadas, a Cotriguaçu (cooperativa central que reúne quatro grandes cooperativas da região Sudoeste) manda 4 mil toneladas de caminhão para Paranaguá. O desejo é que eles pudessem fazer 100% pelo transporte ferroviário, pois o rodoviário custa 50% mais”.

Rodovias em risco
Em relação ao transporte rodoviário, a expectativa é em relação à licitação para a definição das empresas que ficarão responsáveis pelo novo pedágio no Paraná. A licitação vem sendo conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No fim de outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou a ANTT a lançar o edital dos lotes 1 e 2 da nova concessão, em toda a região leste do estado, mas no mês passado uma comissão da Assembleia Legislativa do Paraná pediu a suspensão do processo.
A região sudoeste do Paraná está contemplada no lote 6 da concessão, que ainda não tem data para ser licitada. É o lote com o maior número de duplicações previstas, chegando a 444 km, e o maior volume de investimentos em obras, no total de R$ 8,64 bilhões. São 659,3 km em sete rodovias: BR-277, BR-163, PR-158, PR-180, PR-182, PR-280 e PR-483.
Entre as obras que ficarão a cargo das concessionárias estão a duplicação integral da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, incluindo trechos complexos da Serra da Esperança, em Guarapuava. Só entre Cascavel e Guarapuava, serão 247 km. Também estão previstas as duplicações de 71 km na PR-182, entre Marmelândia e Francisco Beltrão, e de 62 km entre Francisco Beltrão e Pato Branco.
A preocupação é com a possibilidade de o novo governo federal rever o processo de licitação e optar por um pedágio de manutenção, o que inviabilizaria os investimentos em obras. “É um absurdo a BR-277 ainda não estar duplicada em todo o estado”, afirma Elias Zydek. “Já temos um gargalo. É ida e volta, tem muito insumo indo e vindo. Um caminhão levava uma hora entre Cascavel e Medianeira, hoje ele não faz em duas horas. O crescimento do Oeste estará condenado se não tivermos obras de infraestrutura”.
Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, uma das maiores produtoras de frango no estado, avalia que as rodovias estão chegando ao limite. “Temos rodovias que estão chegando ao ponto máximo de capacidade e temos a perspectiva de aumento no tráfego, em função da produção de grãos e carne, além de termos uma perspectiva de aumento do comércio entre Brasil e Paraguai. A cada dia mais essas rodovias terão um tráfego maior, porque tudo passa pelo Paraná”.
Para José Ribas, a falta de investimentos poderá comprometer a produção a médio prazo. “Hoje, a logística brasileira é mais cara que a logística europeia. Já tira de nós muita competitividade, a longo prazo poderá ser um excludente de mercado. O custo vai ser cada vez mais alto, a manutenção de rodovias é cara e está sempre atrasada. Não queremos subsídios, o que queremos é que tirem os obstáculos da nossa frente”.
Leia a matéria completa no Anuário 2023 da Revista Suinocultura Industrial





















