Medidas básicas de controle das principais doenças suínas foi o foco da palestra do diretor do Laboratório Ipeve no V Seminário Internacional de Aves e Suínos, que está sendo realizado na AveSui 2006.
Estratégias de controle
Redação (26/04/06) –
Segundo Reis, a suinocultura é hoje é uma atividade altamente competitiva e que, por esse motivo, não permite erros. A rentabilidade dos produtores está diretamente ligada à utilização de uma genética de qualidade, da adoção de manejo, nutrição e equipamentos adequados e de uma boa sanidade do plantel.
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De acordo com Reis, a produção de suínos pode ser comparada a uma corrida de Fórmula 1, competição na qual os carros são cada vez mais velozes, o combustível extremamente elaborado e os pilotos e equipe de apoio, invariavelmente muito dedicados e eficientes. “O carro seria o “suíno”, a gasolina, a “ração”, o piloto, “o gerente” e a equipe de apoio, os funcionários, consultores, gestores, diretores etc.”, compara Reis. Nesse cenário de extrema competitividade, argumenta o pesquisador, a ocorrência de problemas sanitários é alvo de permanente preocupação de agroindústrias e produtores, uma vez que sua incidência prejudica o desempenho dos animais, a comercialização do setor e a remuneração dos suinocultores.
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Considerações epidemiológicas Segundo o diretor do Ipeve, é de fundamental importância a observação e identificação das causas infecciosas e não infecciosas na etiopatogenia das doenças e problemas nos grandes sistemas de produção suinícola. Fatores ligados ao manejo têm, segundo o pesquisador, grande peso no processo de transmissão das enfermidades. Fatores de estresse ou imunodepressores por sua vez, podem, de acordo com Reis, são cada vez mais reconhecidos como desencadeadores de processos patológicos. A superlotação, exemplifica o especialista, pode romper o equilíbrio entre infecção e imunidade nos animais, favorecendo o aparecimento de doenças. “O número de animais por sítio, por galpão, por baia ou gaiola, associado a uma amplitude etária grande na mesma instalação, grande lotação, ausência da prática “todos dentro todos fora”, complementada com ineficiente limpeza e desinfecção e a não separação de doentes, são provavelmente os principais fatores responsáveis pelos problemas sanitários endêmicos nas criações suínas modernas”, afirma Reis. De acordo com ele, as doenças que hoje prevalecem hoje na suinocultura têm assumido formas de Síndromes diferentemente do passado onde predominavam as doenças monofatoriais.
Diagnósticos e exames Segundo Reis, a associação de enfermidades é muito comum no campo atualmente. O grande desafio, argumenta, está em estabelecer os agentes primários e secundários, dentro da patologia, diante das possibilidades de efeitos sinérgicos entre os agentes. “É um desafio para o técnico ou produtor avaliar com acerto o peso dos fatores que compõem a patogenia das doenças”, afirma. O apoio laboratorial, segundo ele, é chave no diagnóstico conclusivo dos problemas.
É crucial também identificar a melhor técnica a ser utilizada e contar com uma equipe de técnicos treinados e capacitados para interpretar os resultados dos exames laboratoriais em associação com as informações da granja. A falta de diagnóstico laboratorial, enfatiza Reis, pode resultar em medicações errôneas, desnecessárias ou em custo/beneficio negativo. “O uso indiscriminado e contínuo de antibióticos representa hoje uma das grandes limitações para o isolamento bacteriano, além de estimular o desenvolvimento de resistência, limitando, portanto, as opções medicamentosas no campo”, avalia.
Desafios – De acordo com Reis, um dos grandes desafios da suinocultura mundial atual é conciliar a produção em larga escala, ou seja, em rebanhos cada vez maiores, com o controle de doenças. O grande número de animais por sitio em confinamento estrito e as diferenças etárias, criam condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças , ou seja, a presença simultânea no mesmo local da fonte de infecção e do suscetível. Hoje, isto tem sido denominado de subpopulações, ou seja, rebanhos dentro de rebanhos, em termo de suscetibilidade às doenças”, completa.
Outro grande desafio da suinocultura mundial, avalia Reis, é diminuir o uso de antibióticos no tratamento de enfermidades. Segundo o especialista, um grande número de doenças vem sendo tratado através do uso regular desse tipo de medicamento, fato que pode estimular a resistência de alguns agentes. “Preocupa de uma maneira geral, o largo uso de antibiótico na suinocultura confinada, seja através de uso contínuo, inclusive de drogas em associação, acelerando os processos de antagonismo e de resistências bacterianas em muitos casos”, afirma.
O especialista cita como exemplo o Actinobacillus pleuropneumoniae , sensível à amoxicilina e penicilina há 3 anos, e que hoje apresenta resistência em vários casos. “O uso freqüente, principalmente em baixas doses, parece estimular rapidamente a resistência”, alerta. Reis destacou ainda, a chamada resistência contagiosa, que ocorre entre Escherichia coli e Salmonella. “O baixo isolamento de Salmonella em casos clínicos suspeitos explica-se parcialmente pelo uso indiscriminado de antibióticos”, afirma o especialista.





















