O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou extraordinariamente ontem (19) as medidas de apoio ao milho safrinha e ao sorgo.
Saem recursos para estocagem de milho
Da Redação 20/02/2003 – Nova linha de crédito para produtores, cooperativas e agroindústrias terá juros de 8,75% ao ano. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou extraordinariamente ontem (19) as medidas de apoio ao milho safrinha e ao sorgo. O governo aumentou o limite de financiamento do custeio e também criou linha de crédito para a estocagem. As ações eram esperadas desde 30 de janeiro, quando ocorreu a última reunião mensal do CMN. O próximo encontro do conselho está marcado para o dia 27, quando devem ser apreciadas ações para o trigo e a comercialização de máquinas agrícolas. A primeira reunião do governo com o setor produtivo foi em 6 de janeiro e a partir dessa data foi formulado o voto encaminhado ao conselho. Porém, na reunião mensal, os membros do CMN pediram maiores detalhes sobre a medida. Há 15 dias, técnicos do Ministério da Agricultura encaminharam nova proposta. As medidas foram anunciadas ontem (19) pelo ministro Roberto Rodrigues, na reunião do Fórum Nacional dos Secretários de Agricultura. Cultivo encerrado A linha será destinada a produtores, cooperativas e agroindústrias para que seja feita estocagem do grão, a juros de 8,75% ao ano, e preços próximos aos de mercado. Hoje, só havia os Empréstimos do Governo Federal (EGFs), cuja base era o preço mínimo de R$ 9,50 para o Sul e Sudeste. Agora, o valor de referência será de R$ 18 a R$ 13 a saca de milho, conforme o faturamento anual do tomador do empréstimo. O CMN autorizou também o reajuste de 60% no limite para custeio do milho, passando de R$ 250 mil para R$ 400 mil para o milho de sequeiro e de R$ 300 mil para R$ 480 mil o irrigado. No caso do sorgo, o valor foi dobrado de R$ 150 mil o sequeiro e R$ 300 mil o irrigado. Clima favorável No pacote consta ainda a inclusão apenas do sorgo no zoneamento agrícola, desde que o produtor pague prêmio de 5,5% para a contratação. Queda em Goiás Futuramente, o governo federal deve ainda lançar contratos de opção de venda para dois milhões de toneladas de milho e 600 mil toneladas de sorgo, com vencimento de junho a setembro deste ano, envolvendo recursos da ordem de R$ 800 milhões. As opções deverão sair em março, com preço da paridade exportação. O CMN autorizou ainda a realização de operações de Aquisição do Governo Federal (AGFs) de sorgo no Centro-Sul do País. É intenção do governo, segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Amauri Dimárzio, recompor os estoques que estão praticamente zerados.
“Está tarde”, admitiu o ministro. Em muitas regiões do País o cultivo encerra-se no final deste mês, com possibilidade de, no máximo, chegar a 15 de março. Por isso foi considerada mais importante pelo setor a criação da Linha Especial de Crédito à Comercialização (LEC) e não o aumento do custeio. “Muitos produtores já tomaram crédito para o plantio”, diz Pedro Arantes, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg).Leia também no Agrimídia:
O secretário de Política Agrícola do ministério, Ivan Wedekin, acredita que, com as medidas, o preço do grão será bom e se houver clima favorável, a segunda safra de milho pode chegar a 8 milhões de toneladas. “Estou otimista que a safrinha vai compensar os problemas de abastecimento”, disse Rodrigues.
“Não é justo que o produtor rural arque com o risco sozinho”, protestou Carlos Augusto Albuquerque, assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Para ele, por conta de as medidas terem sido lançadas muito depois de o agricultor ter tomado a decisão de plantar o milho, o governo deveria ter incluído o grão no zoneamento, uma vez que muitos vão cultivar tardiamente. Em Goiás, por exemplo, estima-se uma queda de 20% na superfície cultivada devido à escassez de área pois a colheita de verão está atrasada.





















