Grãos convencionais miram mercado externo, com “público cativo”. Saca do convencional é mais valorizada por algumas empresas.
OGM negado!

A expansão dos transgênicos no Brasil é inegável. Não só pelo incremento da área cultivada com sementes geneticamente modificadas no País, mas também pelo investimento crescente em biotecnologia aplicada à transgeníase. Por outro lado, é inegável também que os grãos convencionais têm um mercado cativo e, por isso, dificilmente irão desaparecer dos campos brasileiros. Pelo contrário, a tendência é que se encontre, nos próximos anos, um ponto de equilíbrio, afirmam analistas e pesquisadores. Apesar de conviver lado a lado nas lavouras, grãos transgênicos e convencionais ocupam nichos diferentes quando o assunto é mercado.
No Paraná, cooperativas pagam aos produtores de soja convencional um prêmio de até R$ 2 por saca. Segundo a Coamo, com sede em Campo Mourão (Noroeste), 60% do prêmio recebido pela cooperativa das empresas importadoras fica nas mãos do produtor e os outros 40% são utilizados para cobrir despesas de armazenagem, limpeza e rastreabilidade. Outras cooperativas como Cocamar (Maringá), Integrada (Londrina), Agrária (Guarapuava), C.Vale (Palotina), Copacol (Cafelândia) e Cocari (Mandaguari) também adotam o mesmo modelo de bonificação para atender a contratos de exportação. O prêmio visa estimular não só o plantio de variedades convencionais, mas também a segregação dos grãos.
O pagamento de bônus por grãos convencionais não acontece só no Paraná. É uma prática comum no mercado da soja, mas que ainda está começando no mercado do milho. A Cooperativa Agropecuária Camponovense (Coocam), com sede em Campos Novos, na região central de Santa Catarina, é um exemplo. Para esta safra, a cooperativa fechou contratos de exportação para fornecer milho convencional à União Européia. Pelos grãos, rastreados e certificados, recebe preços cerca de 8% acima do mercado. Para o presidente João Carlos Di Domenico, contudo, contratos como esse ainda são exceção no Brasil.
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Segundo Ivan Pagui, diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange), empresas como Batavo, Caramuru e Imcopa também oferecem a seus fornecedores um adicional que varia de R$ 1 a R$ 2 pela saca do cereal convencional.
Seja na soja ou no milho, a prática é mais comum na indústria de alimentos voltados para o consumo humano ou em empresas cujos produtos finais têm como destino o mercado exportador, principalmente o europeu. Avessos à transgeníase, países como França, Alemanha, Itália, Bélgica, Suíça, Noruega Japão e Coréia do Sul pagam mais por alimentos não-transgênicos.
Incentivado pelo bônus, o produtor Rodrigo Miola, de Toledo, plantou 242 hectares de soja convencional neste ano, o equivalente a 36% da área total de cultivo da oleaginosa. “O prêmio pago pelo grão convencional é um bom incentivo, mas minha opção levou em conta também a disponibilidade de variedades adaptadas à minha região”, esclarece.





















