Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 69,98 / kg
Soja - Indicador PRR$ 121,52 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 128,66 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 10,19 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,93 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,76 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,65 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,51 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,74 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 166,50 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 174,15 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 184,38 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 195,54 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 159,02 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 177,57 / cx
Frango - Indicador SPR$ 7,07 / kg
Frango - Indicador SPR$ 7,11 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.185,88 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.095,20 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 185,49 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 166,62 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 150,92 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 167,05 / cx
Comentário

A agricultura mimetizando a natureza

A agricultura e o sistema alimentar estão no cerne deste desafio por serem importantes usuários de recursos naturais, frequentemente considerados impulsionadores da crise climática que atinge todo o planeta

A agricultura mimetizando a natureza

O atual modelo econômico parece se sustentar na equivocada premissa de que os recursos materiais do planeta são ilimitados. Cerca de 90 trilhões de toneladas de minerais, combustíveis fósseis e biomassa são consumidos anualmente, três vezes mais que em 1970. A persistirem as tendências atuais, o consumo de recursos materiais globais irá duplicar até 2050, colocando em sério risco recursos como água, ar, solo e biodiversidade. Realidade que coloca em evidência o erro de design na economia tradicional, que precisará ser reinventada para atender às necessidades da sociedade e ao mesmo tempo salvaguardar a integridade dos ecossistemas.

A agricultura e o sistema alimentar estão no cerne deste desafio por serem importantes usuários de recursos naturais, frequentemente considerados impulsionadores da crise climática que atinge todo o planeta. É preciso reconhecer que o capitalismo industrial e a agricultura moderna que dele emergiu ajudaram a retirar milhões de pessoas da pobreza, melhorando padrões de vida e o bem-estar humano no último século. No entanto, as intervenções massivas que promovem na natureza estão levando ao rompimento de equilíbrios necessários para uma relação harmônica entre os sistemas humanos e naturais.

Os humanos construíram uma jornada exitosa no planeta observando os sistemas naturais e fazendo intervenções para adaptar plantas, animais e os ecossistemas às suas necessidades. Mas, em diversos momentos dessa trajetória, tais intervenções passaram a ignorar equilíbrios críticos, refinados por milhões de anos de tentativa e erro e garantiram resiliência e durabilidade à natureza. O rompimento de tais equilíbrios com o fim de criar benefícios de interesse exclusivamente humano, em prazos cada vez mais curtos, coloca em risco a saúde do planeta e, no limite, poderá comprometer a própria viabilidade da sociedade.

É por isso que a agricultura e os sistemas alimentares estão pressionados a se alinhar a princípios que foram aperfeiçoados há milhões de anos e codificados nos seres vivos e nos sistemas naturais, muito antes da evolução humana e da criação da agricultura, das indústrias, do comércio ou de qualquer outro artefato moderno. É urgente que busquemos mimetizar a natureza na sua capacidade de integrar sistemas complexos, usando recursos com eficiência, incorporando resíduos a processos e produtos úteis, conservando solo e água, fixando mais que emitindo carbono, maximizando eficiência energética, dentre muitas outras funções.

Tais avanços facilitariam a nossa jornada na direção da tão almejada sustentabilidade, que não é nada mais que a reconciliação entre os sistemas humanos e a natureza. Para a agricultura, tal reconciliação dependerá da revisão do conceito de performance, tradicionalmente associada a quantidade de alimentos ou matérias primas produzidos em um determinado espaço e traduzida em ganho econômico. O mundo que clama por sustentabilidade já exige da agricultura medidas mais sofisticadas de performance, centradas não apenas em produção física e lucratividade, mas também em ecoeficiência, em benefícios sociais e práticas gerenciais eticamente aceitáveis, todos embebidos nas suas operações, processos e produtos.

É por isso que a agricultura baseada em intervenções massivas no ambiente vai rapidamente perdendo o suporte da sociedade. Por exemplo, monoculturas a perder de vista no horizonte dificilmente se adequarão aos padrões e métricas exigidos por clientes, acionistas e consumidores cada vez mais atentos aos preceitos de sustentabilidade que se consolidam globalmente. Até porque a ciência já demonstra a viabilidade econômica de sistemas produtivos mais amigáveis, que mimetizem sistemas naturais e ampliem a possibilidade de se produzir alimentos de maneira economicamente viável utilizando insumos e serviços ambientais de forma parcimoniosa e segura.

Em artigo recentemente publicado na revista científica Nature Food (Vol 2:330–338, 2021) cientistas americanos descrevem um amplo estudo da complexidade das paisagens rurais em 3,100 municipalidades nos EUA, entre 2008 e 2018. Eles concluem que o aumento da diversidade nos ambientes agrícolas não só protege a natureza, mas contribui para aumentar a produção das lavouras em até 20%. Para os autores, ao contrário de investir em monoculturas ou em abertura de novas áreas para suprir mais alimentos, faz mais sentido imitar a natureza, buscando ampliar e fortalecer a produção pela ampliação da diversidade nas paisagens agrícolas.

Esta percepção já se consolida também no Brasil. A Embrapa e parceiros vem há décadas aperfeiçoando e disseminando sistemas produtivos mais complexos, combinando plantações, criações e florestas, manejados de forma permanente no mesmo espaço. Tais sistemas, conhecidos como Integração Lavoura-Pecuária-Florestas (iLPF), tem se revelado não só economicamente viáveis, mas também capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa – viabilizando produção carbono-neutro, aumentando a resiliência climática e promovendo a utilização mais inteligente de insumos e serviços ambientais. É a ciência dando mostras da viabilidade de uma agricultura mais limpa, de base renovável, em sintonia com a natureza e com as expectativas da sociedade.

Assuntos Relacionados agricultura
Mais lidas
Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 69,98
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 121,52
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 128,66
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 10,19
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 6,93
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 6,76
    kg
  • Suíno - Estadual
    PR
    R$ 6,65
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 6,51
    kg
  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 6,74
    kg
  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 166,50
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Branco
    R$ 174,15
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 184,38
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 195,54
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 159,02
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 177,57
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,07
    kg
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 7,11
    kg
  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.185,88
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.095,20
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 185,49
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 166,62
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 150,92
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Recife (PE)
    R$ 167,05
    cx

Relacionados

SUINOCULTURA 328
Anuário AI – Edição 1342
Anuário SI – Edição 327
SI – Edição 326
AI – 1341