O risco agora para a economia mundial é a generalização da inflação alta, alertaram ontem os principais bancos centrais do planeta.
Emergentes devem crescer o dobro da média mundial
Redação (06/05/2008)- As economias emergentes vão crescer quase o dobro da média mundial e garantirão uma expansão global ainda significativa este ano. O risco agora para a economia mundial é a generalização da inflação alta, alertaram ontem os principais bancos centrais do planeta.
Jean-Claude Trichet, presidente do comitê dos banqueiros centrais, insistiu que os riscos inflacionários são elevados s em todas as economias, sem exceção, e que não é momento para complacência, dando ênfase numa resposta sobre a importância do grau de investimentos obtido pelo Brasil.
A inflação de alimentos, de metais e de energia vem sendo criada pela demanda forte dos emergentes, com uma mudança importante de padrão de consumo. Conjugado com atividade aquecida de alguns países, eleva os riscos de inflação em várias regiões.
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Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil, concordou que não é momento para complacência contra a inflação, "para não confundirmos desejo com realidade", explicando que "o desejo é de que não há problema". Mas ressalvou que cada país tem uma situação, urgências e níveis de atividades diferentes. "Para o Brasil, não teve novidade e já dissemos tudo nas atas do Copom."
O consenso, em todo caso, e que o Brasil concorda, foi de que os bancos centrais devem estar preparados "para tomar medidas necessárias para evitar que um processo inflacionário se instale tal como ocorreu na década de 70, no choque do petróleo". Na ocasião, lembrou ele, depois da inflação instalada, seu controle foi muito custoso para os países que tiveram de enfrentar o problema. O Valor apurou que o banco dos bancos centrais prevê inflação de 4,5% no Brasil este ano, e um pequeno pulo para 4,6% em 2008, o que ainda ficaria na margem da meta fixada pelo Banco Central.
Para Trichet, a obtenção do grau de investimento pelo Brasil ilustra a resistência das economias emergentes, "mas não há tempo para complacência contra a inflação".
A reunião bimensal dos principais bancos centrais industrializados e de países emergentes moveu agora sua preocupação para inflação alta globalmente, porque vêem menores os riscos de uma recessão profunda nos EUA. A crise do mercado imobiliário e a queda de preços ainda não dão sinais de estabilização, o que por sua vez já ocorre nos mercados financeiros, principalmente nos mercados de crédito.
Sobretudo os BCs confirmam a solidez e resistência das economias emergentes. Mesmo países com alta dependência de exportações para os EUA conseguem redirecionar uma parte das mercadorias para os emergentes e outras regiões que têm mantido uma boa parte da dinâmica de crescimento.
O Valor apurou que o BIS prevê crescimento global de 3,6% este, enquanto as economias emergentes podem crescer 6,7%. Para o Brasil, a previsão é de expansão econômica de 4,75% este ano e queda para 4,2% ano que vem, superando o México mas abaixo da Argentina, China, Índia e Rússia.
Já Meirelles assinalou que o cenário novo dos banqueiros, de recessão moderada nos EUA, e não profunda, não altera a estimativa do BC, de expansão brasileira de 4,8% este ano.





















