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Plano Safra

Plano Safra 2025/26: Agricultura familiar amplia acesso ao crédito, enquanto investimento na agricultura empresarial recua

O Plano Safra 2025/26 traz inclusão e crédito para a agricultura familiar enquanto o investimento na agricultura empresarial diminui

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Plano Safra 2025/26: Agricultura familiar amplia acesso ao crédito, enquanto investimento na agricultura empresarial recua

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) divulgou um balanço parcial do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/26, indicando avanço no volume de crédito contratado e maior inclusão de públicos historicamente menos atendidos. Entre julho e dezembro de 2025, foram contratados R$ 40,2 bilhões em mais de 1,1 milhão de operações, segundo dados da Pasta.

O valor supera levemente os números divulgados em meados de janeiro, quando o montante informado era de R$ 37,6 bilhões. A diferença ocorre em função das atualizações do sistema do Banco Central e da metodologia adotada pelo governo federal, que prioriza a divulgação dos valores contratados, e não necessariamente dos recursos já desembolsados. Como os repasses podem ocorrer dias após a contratação, o volume efetivamente concedido tende a ser menor no curto prazo.

De acordo com o MDA, houve uma melhor distribuição do crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com ampliação da participação de agricultores de menor renda, mulheres, jovens e beneficiários de linhas voltadas à agroecologia, à bioeconomia e à inclusão produtiva. Para o secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia, Vanderley Ziger, o desempenho inicial do Plano Safra reforça o papel do Pronaf como instrumento de desenvolvimento rural sustentável, combinando produção de alimentos, inclusão social e geração de renda no campo.

Regionalmente, o Norte do país apresentou crescimento expressivo. Foram registrados 57,8 mil contratos, alta de 80,6% em relação à primeira metade da safra anterior, com R$ 3,3 bilhões financiados, um avanço de 9,9% no valor contratado. Segundo o ministério, o resultado reflete o esforço de ampliar o alcance do crédito rural em regiões historicamente menos atendidas.

Em nível nacional, as linhas consideradas estratégicas apresentaram forte expansão. O Pronaf Agroecologia mais que dobrou o número de operações, com crescimento de 102,2%, e registrou alta de 73% no volume financiado. Já o Pronaf B, voltado às famílias de menor renda, teve aumento de 60,1% no número de contratos e crescimento de 52% no volume de recursos, que alcançou R$ 5,1 bilhões.

O acesso ao crédito por mulheres e jovens também avançou. As mulheres responderam por 42% das operações realizadas no atual Plano Safra. A linha Pronaf Jovem apresentou crescimento expressivo, com expansão de 1.555% no volume financiado, saltando de R$ 518 mil para R$ 8,6 milhões.

Os financiamentos destinados à produção de alimentos registraram elevação em diferentes cadeias. O crédito para hortaliças cresceu 22,8% em número de operações, totalizando R$ 600 milhões contratados. A fruticultura teve aumento de 10,7% nas operações, com R$ 1,4 bilhão financiado, enquanto a cadeia leiteira acessou 15% mais recursos, somando R$ 7 bilhões em contratações.

O Programa Mais Alimentos, voltado à aquisição de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, alcançou R$ 8 bilhões em volume contratado. Segundo o MDA, o resultado indica maior acesso a equipamentos de pequeno porte, mais adequados à realidade das propriedades familiares.

Agricultura empresarial mostra retração nos investimentos
Na semana anterior, o Ministério da Agricultura apresentou o balanço da primeira metade do Plano Safra da Agricultura Empresarial 2025/26. Entre julho e dezembro de 2025, o volume total de recursos contratados, excluindo o Pronaf, chegou a R$ 284,08 bilhões, crescimento de 3% em relação ao mesmo período de 2024.

Apesar do avanço nas contratações, os recursos efetivamente concedidos recuaram 2%, totalizando R$ 270,41 bilhões. Esse resultado ainda incorpora as operações via Cédulas de Produto Rural (CPRs), que tiveram crescimento de 30% e alcançaram R$ 121,9 bilhões no período.

Ao desconsiderar as CPRs e focar apenas nas linhas tradicionais de crédito rural, o cenário é de retração mais acentuada. Os desembolsos caíram quase 20%, para cerca de R$ 150 bilhões. A queda foi ainda mais significativa nos investimentos, com recuo de 25% no número de contratos, que passaram de 407.163 para 304.476 operações.

Segundo o Ministério da Agricultura, o ambiente mais restritivo, marcado por taxas de juros elevadas, levou produtores a priorizarem operações de custeio, enquanto os bancos adotaram uma postura mais cautelosa na concessão de crédito. As fontes controladas somaram R$ 84,35 bilhões, queda de 10%, e as não controladas totalizaram R$ 64,08 bilhões, retração de 26%.

Do total de R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis, apenas R$ 41,08 bilhões foram concedidos até o momento, deixando um saldo de 64% ainda não utilizado. Além disso, há R$ 17,1 bilhões em crédito já contratado, mas que ainda não foi efetivamente liberado.

De acordo com a Pasta, o primeiro semestre do Plano Safra 2025/26 foi marcado pelo crescimento das contratações, impulsionado pelas CPRs, e pela retração nas linhas tradicionais, especialmente nos financiamentos para investimento e custeio, refletindo um cenário de maior cautela no crédito rural voltado à agricultura empresarial.

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