Descubra como o Comitê parlamentar do Reino Unido detectou falhas no controle sanitário de cargas de carne suína e suas consequências
Comitê parlamentar do Reino Unido aponta falhas no controle de cargas de carne suína

O sistema de controle sanitário de importações no Reino Unido voltou ao centro do debate após o Comitê de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (EFRA) alertar para falhas nas inspeções de cargas que entram pelo Porto de Dover. Segundo o grupo parlamentar, um número significativo de remessas de carne e produtos vegetais identificadas para verificação sanitária estaria entrando no país sem passar pelo Posto de Controle de Fronteiras (BCP) responsável pelas inspeções.
De acordo com dados fornecidos pelo Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), parte das cargas sinalizadas no sistema digital não chegou ao centro de inspeção de Sevington, localizado a cerca de 35 quilômetros de Dover. Em novembro de 2025, cerca de 18% das remessas de origem animal, como carne e laticínios, não foram encaminhadas ao local para verificação, apesar de terem sido direcionadas pelo sistema. Em agosto do mesmo ano, esse percentual era de 8%.
Esses casos são classificados pelo Defra como “visitas rápidas”, quando a carga deveria se apresentar no posto de controle, mas não comparece. O comitê destacou ainda que a análise detalhada das verificações enfrenta limitações devido a lacunas nos dados disponíveis desde o início das operações do centro de Sevington.
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Autoridade portuária contesta interpretação dos números
A Autoridade de Saúde do Porto de Ashford, responsável pela operação do posto de controle de Sevington, reagiu às conclusões do comitê e afirmou que os números divulgados podem ser interpretados de forma equivocada.
Segundo Anthony Baldock, diretor corporativo de saúde e bem-estar da autoridade, o relatório apresenta apenas parte do cenário e ignora outros mecanismos de proteção existentes no sistema britânico de controle de importações.
Ele afirmou que, apesar dos desafios operacionais, incluindo problemas com informações fornecidas pelo sistema digital IPAFFS aos importadores, as equipes responsáveis pelas inspeções têm realizado um trabalho consistente para proteger o país contra doenças sanitárias graves.
Baldock destacou que a atuação das equipes de saúde portuária foi fundamental para prevenir riscos relacionados a enfermidades como febre aftosa e peste suína africana, doenças que representam ameaças significativas à pecuária.
Setor agropecuário teme riscos sanitários crescentes
As preocupações do comitê refletem um sentimento crescente dentro dos setores agrícola e hortícola britânicos. Produtores e entidades representativas alertam que a limitação das verificações sanitárias pode abrir brechas para a entrada de produtos contaminados ou de origem irregular no país.
A preocupação é ampliada pelo cenário sanitário recente na Europa, onde foram registrados surtos de peste suína africana e febre aftosa em 2025 e no início de 2026, além de ocorrências de doenças em culturas agrícolas, como as provocadas pela bactéria Xylella.
Paralelamente, autoridades britânicas também relatam aumento na atividade de redes criminosas envolvidas na introdução de produtos alimentícios ilegais no país. A Autoridade de Saúde Portuária de Dover informou recentemente que realizou apreensões recordes de carne ilegal em janeiro.
Sistema de inspeção enfrenta críticas estruturais
O comitê EFRA já havia apontado fragilidades estruturais no modelo atual em relatório divulgado anteriormente. Segundo os parlamentares, o sistema depende da iniciativa dos próprios motoristas para levar as cargas até o centro de inspeção de Sevington, o que cria riscos operacionais e reduz a eficácia do controle sanitário.
Além disso, há preocupações de que mercadorias possam ser descarregadas antes mesmo de chegar ao ponto de verificação, dificultando a fiscalização efetiva.
Para o presidente do comitê, o parlamentar Alistair Carmichael, os dados indicam falhas estruturais no sistema. Segundo ele, produtos de origem animal e vegetal potencialmente contaminados podem estar entrando no país sem inspeção adequada, representando riscos concretos para a pecuária e para a produção agrícola britânica.
Sistema temporário aguarda definição em acordo com a União Europeia
O centro de inspeção de Sevington foi criado após o Brexit como solução provisória para realizar verificações sanitárias em produtos provenientes da União Europeia. As inspeções não ocorrem diretamente no Porto de Dover porque o posto de controle planejado para Bastion Point, dentro da área portuária, ainda não entrou em operação e permanece sem definição sobre seu futuro.
O modelo atual poderá passar por nova reformulação caso seja firmado um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia sobre controles sanitários e fitossanitários (SPS). As negociações entre as partes estão previstas para ocorrer ao longo deste ano.
Governo reconhece preocupações e promete ajustes
Durante audiência realizada no início de março, representantes do Defra informaram ao comitê que verificações adicionais são realizadas quando remessas não chegam ao posto de controle. Entretanto, os técnicos não apresentaram dados detalhados sobre a frequência ou o método dessas inspeções de acompanhamento.
Em nota, um porta-voz do departamento afirmou que o não comparecimento ao posto de controle constitui violação das normas sanitárias e que as autoridades responsáveis devem tomar as medidas cabíveis.
O governo britânico também reconheceu as preocupações levantadas pelo comitê parlamentar e informou que trabalha para aprimorar o sistema, inclusive no que se refere à coleta e disponibilização de dados sobre o funcionamento das inspeções sanitárias nas fronteiras.
Referência: Pig World





















