Avanço do produto vietnamita pressiona competitividade da piscicultura nacional e acende alerta no setor
Brasil importa 1,3 mil toneladas de tilápia e supera exportações pela primeira vez

O Brasil importou mais tilápia do que exportou pela primeira vez, com a entrada de cerca de 1,3 mil toneladas de filé em fevereiro de 2026. O volume equivale a aproximadamente 6,5% da produção mensal nacional, segundo dados do setor.
Produto importado chega com preço próximo ao custo nacional
O principal fator para o aumento das importações é a competitividade do produto vietnamita. O filé chega ao mercado brasileiro com preços entre R$25 e R$29 por quilo, patamar próximo ao custo da matéria- prima utilizada pela indústria nacional.
Esse cenário reduz a margem das empresas locais porque limita a capacidade de repasse de preços. A concorrência direta com um produto importado com custo semelhante altera a dinâmica de comercialização no mercado interno.
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Custos e tributação ampliam desvantagem competitiva
A estrutura de custos da produção brasileira inclui exigências sanitárias, ambientais e tributárias mais elevadas. Esse conjunto de fatores aumenta o custo final da tilápia nacional em relação ao produto importado.
Em paralelo, há casos de isenção de ICMS para o produto importado em alguns estados. A diferença tributária amplia a vantagem competitiva da tilápia estrangeira e pressiona a indústria doméstica.
Risco sanitário entra na avaliação do setor
Além do impacto econômico, o avanço das importações levanta preocupação sanitária. O Vietnã registra doenças como o vírus TiLV, que não está presente no Brasil e pode afetar a produção nacional.
O setor solicita análise de risco das importações porque a entrada de patógenos pode gerar perdas produtivas e elevar custos de controle sanitário.
Mudança no fluxo comercial altera equilíbrio do mercado
A tilápia vinha apresentando crescimento médio anual superior a 10% no Brasil, com expansão contínua da produção. O avanço das importações reduz o efeito das exportações na regulação do mercado interno.
Esse movimento aumenta a oferta disponível no país, o que pode pressionar preços e afetar a rentabilidade da cadeia produtiva no curto prazo.
Referência: R7





















