Em 2026, as exportações de carne suína crescem, enquanto os preços caem. Entenda como isso afeta a suinocultura no Brasil
Exportações em alta e preços em queda pressionam a suinocultura brasileira em 2026

O Brasil registrou crescimento expressivo nas exportações de carne suína em março de 2026, reforçando o protagonismo do país no mercado internacional. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, foram embarcadas 152,2 mil toneladas de carne suína (in natura e processados), volume 32,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 1,4% acima do recorde anterior, alcançado em setembro do ano passado.
O desempenho também se destacou pela média diária de exportação de carne suína in natura, que atingiu 5.980 toneladas por dia útil — o maior nível da série histórica iniciada em 1997.
No acumulado do primeiro trimestre, o avanço também foi consistente. As exportações de carne suína in natura cresceram 15,3% em relação ao mesmo período de 2025, com destaque para as Filipinas, que responderam por mais de 30% do volume embarcado.
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Apesar do ritmo positivo no comércio exterior, o cenário interno mostra sinais de desequilíbrio. Dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal indicam aumento de cerca de 4% no abate de suínos no período. Considerando que aproximadamente 25% da produção nacional é destinada às exportações, o crescimento mais acelerado dos embarques sugere que a produção adicional foi majoritariamente absorvida pelo mercado externo.
Ainda assim, os preços no mercado doméstico recuaram de forma acentuada nas últimas semanas. Indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada apontam queda nas cotações do suíno vivo e da carcaça, refletindo um descompasso entre oferta e demanda no curto prazo.
Esse movimento aumentou a competitividade da carne suína frente a outras proteínas. Em abril, a relação de preços em comparação com a carne bovina atingiu o melhor nível desde março de 2022, enquanto frente ao frango resfriado alcançou o patamar mais favorável desde setembro do mesmo ano. No atacado, a proteína suína tornou-se relativamente mais barata, o que pode estimular o consumo doméstico ao longo dos próximos meses.
No entanto, a rentabilidade do produtor segue pressionada. Mesmo com recuo recente nos preços do milho — principal insumo da ração — e estabilidade no farelo de soja, a relação de troca caiu para níveis considerados críticos, abaixo de 5,0. Esse indicador é referência para avaliar a viabilidade econômica da atividade e, nesse patamar, sinaliza risco elevado de prejuízo, dependendo da eficiência produtiva das granjas.
No campo, o cenário climático também adiciona incertezas. A irregularidade das chuvas em abril elevou o risco para a segunda safra de milho, embora projeções da Companhia Nacional de Abastecimento apontem uma produção total de 139,6 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26.
Para o setor, o momento é de atenção. Apesar do bom desempenho nas exportações, a pressão sobre os preços internos e as margens negativas indicam um cenário desafiador no curto prazo. A expectativa recai sobre fatores sazonais, como o inverno e eventos de grande consumo, que podem contribuir para reequilibrar a demanda e melhorar as condições de mercado ao produtor.
Referência: ABCS





















