Reconhecimento sanitário sustenta competitividade, mas exigências regulatórias ampliam desafios ao acesso e à permanência nos mercados internacionais
Sanidade garante espaço, mas pressão regulatória desafia suinocultura e avicultura brasileiras

Desde as últimas semanas, a suinocultura brasileira passa por um momento em que a sanidade consolidada se firma como um dos principais ativos do setor, ao mesmo tempo em que o ambiente regulatório, dentro e fora do país, impõe incertezas que podem limitar o avanço comercial. Esse mesmo movimento se reflete na avicultura, desenhando um quadro mais amplo do agronegócio nacional, marcado por oportunidades e riscos que caminham lado a lado.
Nos sistemas de produção de suínos, o status sanitário segue como um diferencial competitivo relevante. A ausência de enfermidades de grande impacto e o controle rigoroso de doenças permitem ao Brasil acessar mercados exigentes e se posicionar como fornecedor confiável. Ainda assim, esse ativo não se traduz automaticamente em expansão contínua das exportações. Barreiras técnicas, exigências sanitárias mais rígidas e questionamentos sobre insumos utilizados na cadeia produtiva têm se intensificado, especialmente por parte de parceiros comerciais europeus, segundo informações e dados acompanhados pelo setor.
Na avicultura, o cenário reforça esse contraste. O país mantém posição de destaque no controle da influenza aviária, enquanto concorrentes enfrentam episódios recorrentes que levam ao abate de grandes volumes de aves, como registrado recentemente na Europa. Essa condição abre espaço para o produto brasileiro em mercados internacionais, mas também eleva o nível de exigência sobre rastreabilidade, biosseguridade e conformidade com padrões globais, de acordo com análises da Embrapa e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
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Ao mesmo tempo, iniciativas recentes indicam tentativas de reduzir gargalos internos. A criação de sistemas integrados para registro de insumos e a articulação entre órgãos reguladores apontam para maior eficiência nos processos, conforme divulgado pelo Mapa. Ainda assim, desafios persistem, como a necessidade de alinhar práticas produtivas às normas de mercados importadores, sobretudo no que diz respeito ao uso de determinados produtos e à transparência das cadeias, tema também acompanhado pelo Banco Central e entidades setoriais.
Medidas externas
A tensão se evidencia quando medidas externas afetam diretamente o fluxo comercial. Restrições impostas à carne brasileira e a identificação de substâncias não permitidas em mercados específicos expõem fragilidades que vão além da porteira. Elas alcançam toda a cadeia, da produção ao embarque, e exigem respostas coordenadas entre setor privado e poder público, conforme apontam levantamentos de entidades como a ABIPESCA.
Diante desse cenário, suinocultura e avicultura operam em um ambiente cada vez mais condicionado pela combinação entre sanidade e conformidade. A capacidade de manter elevados padrões sanitários, ao mesmo tempo em que se ajusta rapidamente às exigências regulatórias, será determinante para transformar o potencial produtivo em resultados consistentes no comércio internacional.
Fontes: Embrapa, Mapa, ABIPESCA, Banco Central.























