Demanda aquecida sustenta cotações acima de R$ 123 por saca, mesmo com safra histórica de 180 milhões de toneladas no Brasil
Soja mantém preços firmes com exportações recordes de 55 milhões de toneladas em 2026

O mercado brasileiro de soja registrou forte movimentação em maio, com elevada liquidez impulsionada pelo ritmo intenso das exportações e pela demanda firme da indústria doméstica. As informações foram divulgadas pelo CEPEA nesta quarta-feira (10) e indicam que, mesmo diante de uma safra recorde, os preços se mantiveram sustentados.
No mercado físico, os Indicadores CEPEA/ESALQ fecharam maio com médias de R$ 129,36 por saca de 60 quilos em Paranaguá e R$ 123,03 por saca no Paraná, com altas de 1,4% e 1,3% em relação a abril. Ainda assim, em termos reais, os valores estão 4,4% e 5,54% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado.
A sustentação das cotações ocorreu mesmo com o avanço da oferta global. No Brasil, a colheita foi praticamente concluída e confirmou a produção recorde estimada em 180 milhões de toneladas pelo USDA. Na Argentina, a safra alcançou 97,1% da área, com produção projetada em 48 milhões de toneladas. Já nos Estados Unidos, 87% da área da nova safra havia sido semeada até o fim de maio, acima da média histórica, com estimativa de produção em 120,7 milhões de toneladas.
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A demanda externa segue como principal motor do mercado. Em maio, o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas de soja, volume 5,1% superior ao de maio de 2025, apesar da queda de 11,5% frente a abril. No acumulado de janeiro a maio, os embarques somaram 55,07 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o período.
A receita com exportações alcançou US$ 22,88 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, ficando atrás apenas do recorde de 2023, quando totalizou US$ 26,54 bilhões. O cenário de forte procura também elevou os prêmios de exportação no Brasil, estimulando negociações antecipadas para embarques entre agosto e outubro, movimento considerado atípico para esta época do ano.
Derivados mostram movimentos distintos no mercado interno e externo
No segmento de óleo de soja, os preços seguiram direções opostas entre os mercados interno e internacional. No Brasil, a média em São Paulo foi de R$ 6.518,48 por tonelada, com queda de 5,2% em relação a abril, reflexo da demanda mais cautelosa das indústrias de biodiesel. Em relação a maio do ano passado, porém, houve alta real de 2,3%.
As exportações de óleo somaram 192,14 mil toneladas em maio, avanço de 35,7% frente ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, os embarques atingiram 890,17 mil toneladas, crescimento de 45,2% e o maior volume para o período desde 2023.
No mercado internacional, o derivado registrou forte valorização. O contrato julho na Bolsa de Chicago teve média de US$ 0,7562 por libra-peso, equivalente a US$ 1.667,22 por tonelada, alta de 8% no mês e expressivos 54,3% em relação a maio do ano passado, atingindo o maior patamar nominal desde julho de 2022.
Esse movimento alterou a composição da rentabilidade da indústria nos Estados Unidos. O óleo passou a responder por 52,79% das margens de lucro do processamento, superando o farelo, que ficou com 47,21%. Um ano antes, a divisão era inversa.
Já o farelo de soja apresentou pressão nos preços internos. A média nas regiões acompanhadas pelo CEPEA recuou 1,3% frente a abril e 1,6% em relação a maio de 2025, influenciada pela maior oferta decorrente do aumento no processamento.
Apesar disso, a demanda externa seguiu aquecida. O Brasil exportou 2,54 milhões de toneladas de farelo em maio, alta de 8,6% em relação a abril e de 21,09% na comparação anual, sendo o maior volume para o mês desde 2023. No acumulado de 2026, os embarques somam 10,19 milhões de toneladas, um novo recorde para o período.
No cenário internacional, os preços do farelo também avançaram. O contrato mais próximo na Bolsa de Chicago registrou média de US$ 329,47 por tonelada curta em maio, alta de 1,5% no mês e de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
Os dados reforçam um mercado global abastecido, mas ainda sustentado pela demanda consistente, especialmente nas exportações brasileiras, que seguem em níveis históricos e continuam ditando o ritmo das negociações.
Fonte: CEPEA


























