Altas temperaturas e umidade elevam riscos fisiológicos, reduzem produtividade e desafiam o manejo nas granjas
Avicultura internacional enfrenta avanço do estresse térmico e impactos crescentes na produção

O estresse térmico se consolida como um dos principais desafios da avicultura moderna, especialmente diante do aumento das temperaturas globais. O calor excessivo, principalmente em países que estão neste momento registrando altas temperaturas, compromete o bem-estar das aves, eleva a mortalidade e reduz a produtividade, com impacto direto na rentabilidade das granjas.
A zona de conforto térmico das aves de criação varia entre 18°C e 22°C. Acima dessa faixa, a capacidade de manter a temperatura corporal sem gasto energético adicional é prejudicada, exigindo maior esforço fisiológico para dissipação de calor.
Sem glândulas sudoríparas, as aves dependem da respiração ofegante como principal mecanismo de resfriamento. Esse processo, no entanto, desvia energia de funções essenciais, afetando o crescimento e a produção. Em frangos de corte, o ganho de peso agrava a dificuldade de perda de calor, aumentando a vulnerabilidade ao estresse térmico.
Leia também no Agrimídia:
- •Paranaguá lidera exportações de carne de frango e amplia protagonismo global
- •Exportações de frango de SC atingem valor recorde em 2026
- •BBI mantém recomendação de compra para JBS e vê potencial de alta de 80% nas ações
- •Ministro da Agricultura se reúne com câmaras setoriais para ouvir demandas do agro
A umidade do ar intensifica os efeitos do calor. A cada aumento de 10% na umidade, a sensação térmica para as aves pode subir cerca de 2°C. Em condições de 34°C, por exemplo, a elevação da umidade de 40% para 65% pode fazer a temperatura percebida saltar para até 44°C, elevando significativamente o risco de mortalidade.
Esse cenário acelera a desidratação, provoca desequilíbrios eletrolíticos e sobrecarrega o sistema cardiovascular das aves, além de aumentar o estresse oxidativo e processos inflamatórios.
Impactos fisiológicos
O estresse térmico afeta a fisiologia das aves antes mesmo do surgimento de sinais visíveis. A tentativa de dissipar calor leva à alcalose respiratória e ao redirecionamento do fluxo sanguíneo, prejudicando a digestão e a absorção de nutrientes.
A ativação do eixo hormonal do estresse eleva os níveis de corticosterona, reduzindo a ingestão de alimento, comprometendo a síntese proteica e enfraquecendo o sistema imunológico. Ao mesmo tempo, danos à integridade intestinal aumentam a permeabilidade e favorecem a entrada de agentes patogênicos na corrente sanguínea.
A combinação de imunossupressão e inflamação sistêmica amplia a suscetibilidade a doenças e eleva os índices de mortalidade.
Nos frangos de corte, o estresse térmico reduz o consumo de ração, compromete o ganho de peso e piora a conversão alimentar. Também afeta a qualidade da carne, aumentando a incidência de alterações como carne pálida e com menor retenção de água.
Em galinhas poedeiras, o calor excessivo provoca queda na produção e piora na qualidade da casca dos ovos, tornando-os mais frágeis. Já em plantéis reprodutores, há redução na fertilidade e na taxa de eclosão, além de maior vulnerabilidade a doenças.
Manejo
O enfrentamento do estresse térmico exige manejo integrado. Medidas como melhoria da ventilação, redução da densidade de aves, uso de sistemas de resfriamento, oferta constante de água de qualidade e ajustes na alimentação são fundamentais para minimizar os impactos.
Estratégias nutricionais também ganham importância, com dietas mais concentradas e de alta digestibilidade, além da inclusão de aditivos que auxiliem na resposta fisiológica das aves ao estresse.
Resiliência
Com a intensificação das mudanças climáticas, o estresse térmico deixa de ser um evento pontual e passa a ser uma condição recorrente na produção avícola. O desafio do setor passa a ser não apenas reduzir seus efeitos, mas aumentar a capacidade de adaptação das aves.
O avanço de soluções que atuam no fortalecimento interno dos animais, aliado ao manejo adequado do ambiente, deve ser determinante para sustentar a produtividade e a eficiência da avicultura em cenários cada vez mais quentes e úmidos.
Fonte: Food Agribusiness, com adaptação Agrimídia























