Pesquisa mostra que 99% das cepas analisadas formaram biofilmes, aumentando desafios para limpeza e biosseguridade nas granjas
Estudo revela alta resistência da Salmonella em ambientes avícolas

Um estudo conduzido pela Agência de Saúde Animal e Vegetal do Reino Unido (APHA) revelou que cepas de Salmonella isoladas em ambientes da cadeia avícola apresentam elevada capacidade de formação de biofilmes, característica que pode aumentar a sobrevivência da bactéria e dificultar seu controle nas granjas.
A pesquisa avaliou 96 isolados de Salmonella coletados em diferentes segmentos da produção avícola, incluindo granjas de frangos, unidades de perus, incubatórios, fábricas de ração e sistemas de criação de patos.
Os resultados mostraram que 95 dos 96 isolados analisados foram capazes de formar biofilmes, estruturas que permitem a aderência da bactéria a superfícies e aumentam sua resistência às ações de limpeza e desinfecção.
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Biofilmes dificultam controle sanitário
A Salmonella é uma das principais preocupações sanitárias da avicultura mundial por estar associada a surtos de salmonelose em humanos, frequentemente relacionados ao consumo de carne de aves e ovos contaminados.
Segundo os pesquisadores, a formação de biofilmes contribui para a persistência da bactéria nos ambientes produtivos, favorecendo sua sobrevivência por períodos prolongados e aumentando o risco de contaminação dos lotes.
O estudo identificou que a capacidade de formação de biofilme variou entre os diferentes sorovares e cepas analisados, mas a maioria apresentou desempenho considerado moderado ou elevado.
Temperatura influencia desenvolvimento
Os testes foram realizados em temperaturas de 20°C e 25°C, consideradas representativas das condições encontradas em ambientes produtivos.
Os pesquisadores observaram que a formação dos biofilmes aumentou significativamente após 72 horas de incubação, demonstrando que o tempo de permanência da bactéria nas superfícies pode favorecer seu estabelecimento e resistência.
Também foram identificadas diferenças entre os isolados provenientes de distintos sistemas de produção, embora não tenha sido possível determinar se a variação ocorreu devido ao ambiente de origem ou às características específicas de cada sorovar.
Limpeza e desinfecção ganham importância
Os resultados reforçam a necessidade de protocolos rigorosos de higienização na avicultura. De acordo com a pesquisadora Claire Oastler, da APHA, cerca de 80% dos isolados apresentaram forte formação de biofilme em pelo menos uma das condições avaliadas.
Embora apenas metade das amostras tenha mantido esse comportamento em todas as condições testadas, a especialista alerta que as cepas de Salmonella encontradas em sistemas de produção avícola possuem potencial significativo para desenvolver biofilmes quando encontram condições favoráveis.
Diante desse cenário, a recomendação é que programas de limpeza e desinfecção considerem a capacidade de formação de biofilmes como um fator crítico para o controle sanitário das granjas.
Impactos para a avicultura
Especialistas apontam que o fortalecimento das medidas de biosseguridade, aliado à higienização adequada das instalações, equipamentos e superfícies, é fundamental para reduzir a presença da Salmonella e minimizar riscos à saúde animal e à segurança dos alimentos.
O estudo reforça que o controle eficiente da bactéria continua sendo uma prioridade para a avicultura mundial, especialmente diante das exigências crescentes dos mercados consumidores em relação à qualidade sanitária dos produtos de origem animal.
Fonte: Poultry World























