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Cooperativas por um mundo pacífico

Por Vanir Zanatta é presidente do Sistema OCESC

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Cooperativas por um mundo pacífico

No primeiro sábado de julho, o mundo cooperativista celebra uma de suas datas mais emblemáticas. Em 4 de julho de 2026, o Dia Internacional do Cooperativismo chega à sua 104ª comemoração sob um tema de rara oportunidade histórica: “Cooperativas por um mundo pacífico”. A formulação escolhida pela Aliança Cooperativa Internacional, em sintonia com os organismos multilaterais que reconhecem a relevância desse modelo socioeconômico, não poderia ser mais atual. Em um tempo marcado por conflitos, desigualdades persistentes, insegurança alimentar, tensões econômicas e fragilização dos vínculos comunitários, o cooperativismo reafirma sua vocação original: aproximar pessoas, organizar esforços, distribuir oportunidades e transformar cooperação em desenvolvimento.

Santa Catarina abriga uma das experiências cooperativistas mais vigorosas do Brasil. Mais de 5 milhões de catarinenses estão vinculados, direta ou indiretamente, a cooperativas distribuídas nos ramos agropecuário, crédito, saúde, transporte, infraestrutura, consumo e trabalho, produção de bens e serviços. Trata-se da maior taxa de adesão ao cooperativismo no País, expressão concreta de uma cultura econômica baseada na organização, no trabalho, na poupança, na confiança e na participação. Em muitos municípios, a presença cooperativa eleva indicadores sociais, amplia renda, fixa famílias em suas comunidades, fortalece cadeias produtivas e melhora a qualidade de vida.

Em todos esses ramos, há uma mesma ideia-força: a cooperação converte fragilidades individuais em potência coletiva. O cooperado não é mero cliente, usuário ou beneficiário. É associado, participante, corresponsável e protagonista. Essa natureza distingue a cooperativa de outros modelos econômicos. Ao mesmo tempo em que compete no mercado, a cooperativa preserva raízes comunitárias. Ao mesmo tempo em que busca eficiência, mantém compromisso com pessoas. Ao mesmo tempo em que estimula o esforço individual, distribui resultados de acordo com a participação de cada um.

Por isso, a reflexão proposta pela 104ª celebração do Dia Internacional do Cooperativismo ultrapassa a comemoração protocolar. Ela convida governos, instituições, lideranças empresariais, trabalhadores, produtores e cidadãos a reconhecerem que muitos dos grandes desafios contemporâneos encontram no cooperativismo um caminho viável, testado e socialmente legítimo. A fome, a exclusão financeira, a precariedade de serviços, o isolamento de comunidades, a concentração de oportunidades e a fragilidade das economias locais podem ser enfrentados com mais organização social, mais associativismo produtivo e mais cooperação.

O tema “Cooperativas por um mundo pacífico” recorda que a paz se constrói também pela economia. Onde há trabalho digno, renda, pertencimento, segurança alimentar, acesso a crédito, saúde, energia, transporte e oportunidades, há menos espaço para rupturas sociais. Onde pessoas se reúnem livremente para solucionar problemas comuns, há mais confiança. Onde o resultado econômico retorna à comunidade, há mais equilíbrio. Onde a prosperidade não exclui, mas incorpora, há verdadeira civilização.

Neste Dia Internacional do Cooperativismo, Santa Catarina tem razões para celebrar, mas também responsabilidades a assumir. O vigor de suas cooperativas demonstra que o desenvolvimento não precisa ser impessoal, excludente ou concentrador. Pode ser humano, democrático, produtivo e comunitário. A experiência catarinense confirma uma convicção que se renova a cada ano: o cooperativismo faz bem em todas as atividades humanas, fortalece a economia, eleva comunidades e oferece ao mundo uma linguagem concreta de paz.

Vanir Zanatta é presidente do Sistema OCESC (Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina)

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