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Na contramão do mercado, exportações de carne suína da Rússia disparam

Projeções indicam embarques recordes de até 440 mil toneladas, somando US$ 1,1 bilhão; avanço na China e nas Filipinas ajuda a aliviar a forte crise de excesso de oferta

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Na contramão do mercado, exportações de carne suína da Rússia disparam

A Rússia está a caminho de registrar um desempenho histórico em seu comércio exterior de proteína suína. De acordo com projeções da União Nacional dos Suinocultores da Rússia (RUPP), o país deve fechar o ano de 2026 com um volume de exportação entre 430 mil e 440 mil toneladas de carne suína e derivados, gerando um faturamento superior a US$ 1,1 bilhão.

Esse volume projetado representará um salto expressivo e responderá por cerca de 9% de toda a produção doméstica de carne suína russa, conforme revelou Yuri Kovalev, diretor-executivo da entidade setorial, à publicação de negócios agrícola Agroinvestor. Apenas nos primeiros seis meses de 2026, as exportações do setor cresceram 11% na comparação anual, somando 223.100 toneladas. O avanço consolida a forte trajetória iniciada em 2025, quando o país exportou 398.400 toneladas (+24% frente a 2024), ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão.

China lidera a demanda e Filipinas despontam como surpresa

O grande motor por trás do crescimento acelerado em 2026 tem sido o apetite dos mercados asiáticos e do Leste Europeu. Os principais destaques do primeiro semestre foram:

  • China: Comprou 58.500 toneladas no primeiro semestre, apresentando um crescimento espetacular de quase 70% em relação ao mesmo período do ano passado.

  • Belarus: Segue como o maior comprador em volume, com um incremento de 17%, alcançando 81.800 toneladas.

  • Filipinas: Consolidou-se rapidamente como um novo e promissor mercado estratégico, importando 13.100 toneladas de carne suína russa no período.

Kovalev destacou que a Rússia ainda tem uma vasta avenida de crescimento em território chinês, já que apenas três empresas russas possuem autorização sanitária para exportar para o país asiático. Juntas, elas detinham apenas 3% a 4% do mercado de importação da China no ano passado. Contudo, dados aduaneiros recentes mostraram que a Rússia alcançou o posto de terceira maior fornecedora de carne suína para os chineses em maio, ficando atrás somente da Espanha e do Brasil.

Suínos salvam balança comercial em meio à queda geral das carnes

O dinamismo do mercado de suínos contrasta fortemente com o restante da indústria frigorífica russa. No balanço do primeiro semestre de 2026, as exportações totais de carnes da Rússia caíram 11%, recuando para 408 mil toneladas. O tombo foi provocado pela forte retração nos embarques de carne de frango (aves), que desabaram 27%, e de carne bovina, que registraram queda de 31%.

A arrancada das exportações tornou-se a principal válvula de escape para os suinocultores russos mitigarem uma grave crise doméstica. Diante do enfraquecimento do consumo interno e do aumento contínuo da produção local, o mercado russo passou a sofrer com o excesso de oferta. Até maio de 2026, os preços pagos aos produtores pelos cortes suínos registraram uma queda de 15% a 22% na comparação anual, forçando muitos granjeiros a vender seus animais no preço de custo.

Nesse cenário desafiador, a expansão das vendas para o mercado externo tem sido fundamental para drenar o excedente do estoque doméstico, aliviando a pressão sobre os preços internos e sustentando a viabilidade operacional das granjas do país.

Fonte: Pig Progress

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