Valorização do dólar frente ao Real vinha garantindo a competitividade do grão brasileiro lá fora, elevando os prêmios e acelerando os negócios
Em uma semana, mercado da soja rompe os R$ 140 e mira contratos até 2028

O mercado brasileiro de soja vive um início de julho extremamente dinâmico, marcado por uma virada rápida nos fatores que sustentam os preços da oleaginosa. Em apenas sete dias, o vetor de alta deixou de ser puramente cambial e passou a ser impulsionado por uma forte engrenagem de riscos climáticos e geopolíticos globais. Como resultado, a saca de 60 quilos rompeu a barreira psicológica dos R$ 140,00 nos principais portos do país — patamar nominal que não era visto desde janeiro, antes da entrada da safra 2025/26.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cenário na primeira semana de julho (06/07) era de forte estímulo doméstico. A valorização do dólar frente ao Real vinha garantindo a competitividade do grão brasileiro lá fora, elevando os prêmios e acelerando os negócios para entrega em novembro deste ano.
No entanto, o relatório mais recente (13/07) mostra que as bolsas internacionais ganharam novos combustíveis. A distribuição irregular de chuvas no Hemisfério Norte, que acende o alerta para a safra norte-americana, somada à intensificação dos conflitos no Oriente Médio, elevou os contratos futuros e trouxe urgência para os compradores.
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Queda de braço e negócios para 2028
Essa rápida mudança global alterou o comportamento do produtor brasileiro. Diante da escalada de preços no mercado spot, os vendedores nacionais adotaram uma postura mais retraída, segurando os lotes à espera de valorizações ainda maiores.
Essa queda de braço, longe de esfriar o mercado, esticou os horizontes de planejamento. Se no início do mês o Cepea já se surpreendia com a antecipação de contratos para novembro de 2026, os dados atuais apontam que o apetite internacional forçou a antecipação das negociações dos prêmios de exportação para embarques em 2028, um alongamento de prazo raramente visto com tanta antecedência.
O semestre dos recordes
A força da demanda que sustenta essa espiral de alta é respaldada pelos números oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O Brasil encerrou o mês de junho com o envio de 14,49 milhões de toneladas de soja ao exterior, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secex, em 1997.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o país já exportou 69,57 milhões de toneladas. O montante representa um salto expressivo de 35% na comparação com o mesmo período de 2025, consolidando o primeiro semestre como o mais exportador da história da soja brasileira.
Com os estoques americanos sob o risco do clima e o tabuleiro geopolítico instável, o grão brasileiro deixou de ser apenas uma oportunidade de câmbio para se transformar no principal porto seguro do abastecimento global de proteínas.
Da Redação, com informações do Cepea























