Setor abocanhou cerca de 40% das linhas aprovadas pelo BNDES em 2025; recurso foi concentrado no socorro de caixa emergencial e manutenção de operações
Plano Brasil Soberano: Agro absorve R$ 7,7 bilhões em crédito para conter tarifas norte-americanas

O agronegócio foi o principal destino dos recursos liberados pelo Plano Brasil Soberano em 2025, programa do governo federal criado via MP 1309/25 para proteger empresas exportadoras dos efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Do total de R$ 19,6 bilhões aprovados pelo BNDES, as cadeias do agro (alimentos, madeira, agropecuária e couro) captaram ao menos R$ 7,7 bilhões — o equivalente a 39,5% do montante total.
O balanço ganha relevância no momento em que o governo lança a fase “Brasil Soberano Competitividade”, voltada a conter os impactos da nova alíquota de 25% cobrada pelo governo norte-americano, em vigor a partir desta quarta-feira (22).
Indústria alimentícia liderou captações no setor
A análise por ramo de atividade econômica (CNAE) indica que o processamento industrial de alimentos concentrou a maior fatia do socorro financeiro:
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Processamento de Alimentos: R$ 4,159 bilhões destinados ao setor, distribuídos em 260 contratos.
Madeira e Derivados: R$ 1,854 bilhão aprovado.
Agropecuária e Serviços Correlatos: R$ 917 milhões.
Couros e Artefatos: R$ 804 milhões.
O volume real injetado na cadeia produtiva do campo pode ser ainda maior, já que o relatório oficial não discrimina aportes em tradings, fabricantes de defensivos, adubos ou maquinários enquadrados no comércio atacadista e na indústria química geral.
Prioridade à liquidez imediata em vez de expansão
A distribuição dos recursos deixa claro que o programa funcionou como uma boia de salvação para a saúde financeira do setor, sacrificando projetos de ampliação ou modernização de longo prazo:
Giro Emergencial: Absorveu 51% dos valores aprovados para custear despesas imediatas e manter o fluxo de caixa.
Giro Diversificação: Ficou com 47% do montante, modalidade que exige como contrapartida a busca por novos mercados compradores fora dos EUA.
Bens de Capital e Investimentos: Responderam por menos de 2% do total (R$ 348 milhões), sem nenhum projeto aprovado na linha de investimento direto para ampliação industrial.
Ao todo, o BNDES aprovou R$ 19,59 bilhões em 1.386 operações até o encerramento de 2025 — o equivalente a 89% dos R$ 22 bilhões aportados pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Do valor aprovado, R$ 10,82 bilhões (55%) foram efetivamente liberados, enquanto R$ 8,77 bilhões permaneceram em fase de liberação ou reavaliação.
Fonte: CNN























