Embora o país possua um rebanho pequeno, o vírus já percorreu mais de 5.600 km no continente asiático, atingindo propriedades rurais e populações de javalis selvagens
PSA se espalha de forma silenciosa pela Índia e ameaça o Sul da Ásia

Embora a Índia raramente ocupe o centro das atenções quando o assunto é suinocultura, o país enfrenta um avanço silencioso e contínuo da Peste Suína Africana (PSA). Nos últimos anos, o vírus atravessou praticamente todo o território indiano, acumulando focos ativos de norte a sul.
Segundo o relatório anual do Ministério da Pesca, Pecuária e Laticínios da Índia referente a 2025, o vírus foi identificado em 15 estados ao longo daquele ano. Os registros oficiais apontam que a doença provocou a morte direta de 21.479 suínos e exigiu o sacrifício sanitário de outros 13.146 animais.
Rebanho reduzido esconde alcance territorial do vírus
Em comparação com gigantes do setor como China ou Vietnã — onde a doença dizimou milhões de cabeças —, os números indianos parecem modestos. O motivo é cultural: o consumo de carne suína é baixo em quase todo o país, e o rebanho suíno total da Índia gira em torno de apenas 9 milhões de animais, segundo o Censo Pecuário local.
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Contudo, a dispersão geográfica do vírus impressiona:
Pico em 2024: No relatório do ano anterior, a PSA havia sido detectada em 23 dos 28 estados indianos, além do território da capital, Déli, somando 99.308 mortes de suínos e 51.261 abates sanitários.
Avanço continental: Com focos registrados nos estados do noroeste (como Punjab e Rajasthan), o vírus cobriu uma distância de 5.600 km desde a sua origem no nordeste da China até as proximidades da fronteira com o Paquistão.
Focos em pequenas criações e contaminação de javalis
Dados atualizados até junho de 2026 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que os surtos mais frequentes continuam concentrados na Região Nordeste da Índia (NER, na sigla em inglês), área vizinha a Mianmar e onde o consumo de carne suína é culturalmente mais elevado.
A doença afeta majoritariamente pequenos produtores e criações comunitárias de subsistência. Em junho de 2026, por exemplo, um foco no estado de Kerala (no sudoeste) exigiu o abate de 195 suínos.
Além das criações domésticas, a PSA atingiu a fauna silvestre. Estudos científicos confirmaram alta mortalidade por conta do vírus em populações de javalis selvagens mantidas em parques nacionais nos estados de Karnataka e Tamil Nadu, no sul do país.
Subnotificação internacional e ações de controle
Chama a atenção dos especialistas a escassez de dados da Índia na base da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH), que conta com apenas quatro relatórios submetidos entre 2020 e 2023. Enquanto isso, países vizinhos como Butão (2021), Nepal (2022), Bangladesh (2023) e Sri Lanka (2024) notificaram oficialmente a presença da doença. No Paquistão, o consumo da proteína é praticamente nulo por razões religiosas, o que reduz o monitoramento, mas o país vizinho também abriga populações de javalis.
Para conter o avanço, a Índia intensificou ações de biosseguridade com o apoio da FAO. O estado de Assam — um dos polos suinícolas mais relevantes do país — publicou protocolos de contenção estabelecendo regras de:
Isolamento e quarentena: Controle rigoroso de entrada e trânsito de animais nas fazendas.
Higiene e desinfecção: Reforço na sanitização diária das instalações.
Zoneamento e compartimentação: Isolamento rápido de áreas afetadas para contenção imediata de novos surtos.
Fonte: Pig Progress























