Baixo peso do bloco europeu nas exportações, menor oferta de bois e retomada do ritmo de vendas para a China devem pressionar as cotações internas até o fim do ano
Mercado
Veto da União Europeia não reduzirá o preço da carne no Brasil, preveem analistas
Compartilhar essa notícia

A suspensão das compras de carne brasileira pela União Europeia (UE), em vigor a partir desta quinta-feira (3), não provocará queda nos preços do produto no mercado consumidor brasileiro. Pelo contrário, a combinação entre a menor oferta de gado no campo e a retomada do ritmo dos embarques para a China sinaliza uma tendência de alta nas cotações até o final do ano.
Fatores de Impacto nas Cotações e no Mercado Doméstico de Carnes
| Fator Analisado | Situação do Mercado e Projeções | Impacto Estimado no Preço Interno |
| Volume Destinado à UE | Apenas 3,7% do volume de carne bovina e 5,8% da receita total. | Nulo: O baixo volume retido não gera excesso de oferta interna. |
| Ciclo Pecuário Doméstico | Fase de baixa disponibilidade de animais terminados para abate. | De Alta: A escassez de boi gordo eleva os custos da matéria-prima. |
| Demanda do Mercado Chinês | Retomada dos processamentos a partir de outubro para a cota de 2027. | De Alta: Direcionamento da produção para o mercado internacional. |
| Cortes Específicos do Bloco | Foco em cortes nobres (filé mignon, contrafilé, alcatra). | Sustentado: Preços de cortes nobres continuam valorizados no varejo. |
Análise de Mercado e Perspectiva Setorial
- Entrevistado na Suinocultura Industrial (nº 330): Fernando Enrique Iglesias, analista da Safras & Mercado e entrevistado de destaque da mais recente edição da revista Suinocultura Industrial (número 330), reforça que o volume absorvido pelos países europeus é muito pequeno para provocar impacto negativo nas cotações do consumidor brasileiro.
- Dinâmica das exportações para a China: A desaceleração dos embarques verificada em julho e agosto ocorreu pelo atingimento do teto da cota tarifária de 2026. A partir de outubro, os frigoríficos voltarão a acelerar o processamento voltado ao mercado chinês para atender aos lotes que chegarão à Ásia no início de 2027.
- Tramitação das negociações: Enquanto setores de frango e mel passam por auditorias técnicas do bloco europeu nesta semana, a cadeia de carne bovina precisará de prazos mais longos para adaptar todo o ciclo produtivo ao novo protocolo de controle de antimicrobianos.
Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado, afirma que “é pouquíssimo provável que isso aconteça [queda no preço do churrasco]. O volume vendido para a União Europeia é pequeno demais para provocar uma queda. A partir de outubro, a indústria frigorífica brasileira vai começar a processar carne bovina para o mercado chinês e, somando isso à baixa do ciclo pecuário, teremos uma boa exportação e menos carne disponível até o final do ano.”
Fonte: Da Redação, com informações do G1























