Retenção da oferta por produtores, cotações externas e temores sobre o El Niño sustentam as altas; compradores tentam frear reajustes
Grãos
Preço do milho avança mesmo com perspectiva de safra recorde
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O mercado brasileiro de milho registrou novos aumentos de preço na metade de agosto, contrariando a pressão esperada pela perspectiva de uma safra 2025/26 recorde. O movimento reflete a postura cautelosa dos agricultores em liberar lotes no mercado disponível, somada a incertezas climáticas e ao comportamento dos preços internacionais.
Esta semana (17/08): O que sustenta a alta dos preços no mercado interno
O fato da semana: Mesmo diante de estimativas de produção recorde no país, as cotações do milho seguem em ritmo de elevação no mercado doméstico.
- Oferta restrita no spot: Produtores rurais mantêm-se retraídos, limitando o volume de grão disponível para negociação imediata.
- Paridade de exportação e clima: A valorização do cereal no mercado internacional elevou a paridade de exportação. Além disso, o atraso na colheita e as preocupações com possíveis impactos do fenômeno El Niño no final do ano adicionaram prêmio de risco aos preços.
- Batalha de cotações: Indústrias e compradores permanecem ativos no mercado com o objetivo de recompor estoques, mas continuam fazendo ofertas abaixo das pedidas dos vendedores, apostando que o avanço da colheita trará maior volume ao mercado.
Semana anterior (10/08): Desaceleração nas exportações e cabo de guerra
Na semana anterior, o levantamento do Cepea já indicava o clima de cautela entre os agentes da cadeia produtiva:
- Embarques menores que em 2025: As exportações de milho em julho recuaram em relação ao mesmo mês do ano anterior, prejudicadas pelo ritmo mais lento da colheita e pelas margens apertadas nos portos.
- Resistência compradora: Os consumidores internos operavam no limite das necessidades imediatas, utilizando estoques próprios e resistindo às tabelas mais altas cobradas pelos produtores.
Comparativo direto: A evolução do mercado de milho
| Indicador / Frente | Semana Anterior (10/08) | Esta Semana (17/08) — Destaque |
| Tendência de Preços | Preços firmes com liquidez limitada | Altas contínuas no mercado interno |
| Postura dos Vendedores | Oferta contida e uso de estoques próprios | Posição retraída, limitando o volume no spot |
| Postura dos Compradores | Cautelosos, cobrindo apenas necessidades pontuais | Ativos para recompor estoques, mas tentando pagar menos |
| Fatores Externos e Climáticos | Atraso da colheita e preços baixos nos portos | Paridade de exportação em alta e temor do El Niño |
Resumo do cenário
A expectativa de uma safra recorde ainda não foi suficiente para derrubar as cotações do milho no Brasil. A combinação de retenção por parte dos agricultores, incertezas sobre o clima no fim do ano por conta do El Niño e a sustentação dos preços internacionais garantiu força aos vendedores. Embora os compradores tentem barganhar valores mais baixos alegando o avanço dos trabalhos de campo, a necessidade de recomposição de estoques tem mantido o mercado em patamares elevados.
Da Redação, com informações do Cepea
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