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Pesquisa e desenvolvimento

Pesquisa identifica soja tolerante a percevejos

Estudo abre caminho para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes, reduzindo a necessidade de defensivos químicos

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Pesquisa identifica soja tolerante a percevejos
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificaram quatro linhagens de soja com tolerância à infestação por percevejos. Apoiado pela Fapesp e publicado na revista Pest Management Science, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de cultivares mais resistentes, reduzindo a necessidade de defensivos químicos.
Metodologia do Experimento em Campo
  • Cruzamento genético: Os cientistas analisaram duas linhagens parentais (uma tolerante e outra suscetível) e 12 híbridos recombinantes para avaliar o comportamento das plantas diante do ataque de pragas.
  • Contraste ambiental: Os testes foram realizados na Fazenda Lageado (Unesp Botucatu), de clima ameno e altitude elevada, e na Estação Experimental da Esalq (Piracicaba/Anhumas), de altitude menor e clima mais quente.
  • Manejo comparativo: As áreas foram divididas em parcelas com e sem aplicação de inseticidas, submetidas a monitoramento semanal para checar a qualidade e a resposta fisiológica das sementes.
Influência Genética na Longevidade da Semente
A avaliação de oito características fisiológicas revelou que o fator genético exerce maior controle sobre a longevidade da semente do que as variações do ambiente. Enquanto fatores de clima e solo influenciam o vigor inicial, a capacidade de a semente manter-se viável e com alto vigor ao longo do tempo depende predominantemente de sua carga genética, servindo como indicador para programas de melhoramento.
De acordo com Larissa Chamma, coautora do estudo (FCA-Unesp), “a pergunta da pesquisa deixa de ser qual linhagem é a melhor e passa a ser qual é mais estável sob diferentes condições reais de cultivo. O objetivo é integrar a seleção de sementes ao manejo de pragas para aplicar o defensivo químico apenas quando for estritamente necessário.”
Rômulo Pedro Macêdo Lima, biólogo e pesquisador do projeto, disse que descobrimos que a longevidade das sementes sob ataque de percevejos apresenta um controle genético comparativamente mais forte do que o ambiental. Essa característica pode ser incorporada aos programas de melhoramento para antecipar o desempenho do cultivo.”
Edvaldo Aparecido Amaral da Silva, professor da FCA-Unesp e orientador da pesquisa, afirma que “os percevejos podem causar a perda de até 30% das lavouras de grãos. O melhoramento genético não elimina totalmente a necessidade de inseticidas, mas facilita a gestão do produtor, reduz custos operacionais e diminui os impactos ambientais.”
Aplicações no Manejo Integrado de Pragas (MIP)
A introdução de sementes geneticamente tolerantes fortalece o Manejo Integrado de Pragas (MIP) no agronegócio. Ao combinar resistência genética, controle biológico e aplicação racional de defensivos, a tecnologia preserva o vigor fisiológico das sementes e reduz as perdas de produtividade no campo.
Fonte: Canal Rural
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