Apesar de responder por apenas 3,7% do volume exportado, bloco europeu funciona como vitrine regulatória e paga valor até 53% maior por quilo em cortes nobres
Exportação
Veto da UE à carne brasileira preocupa setor por impacto no prêmio e na rastreabilidade
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A União Europeia (UE) iniciou nesta quinta-feira (3) a suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil devido a divergências sobre os sistemas de controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Embora o impacto no volume total seja pequeno, o bloqueio afeta a reputação do país como fornecedor de alto padrão sanitário e ameaça o prêmio financeiro pago a pecuaristas que investem em rastreabilidade individual.
Comparativo do Mercado Exportador de Carne Bovina
| Indicador / Métrica | União Europeia (UE) | China (Maior Comprador) |
| Participação no Volume | 3,7% do total exportado pelo Brasil | ~50% do total exportado pelo Brasil |
| Faturamento Anual | US$ 1,6 bilhão (5,8% da receita total) | US$ 8,8 bilhões (~5,5 vezes mais que a UE) |
| Preço Médio Pago | ~US$ 10,00 / kg | ~US$ 6,50 / kg |
| Perfil dos Cortes | Cortes traseiros nobres (filé mignon, alcatra, contrafilé) | Predominância de cortes dianteiros |
| Premiação ao Produtor | Bonificação de até 10% (“Boi Europa”) | Padrão commodity sem prêmio diferenciado |
Destaques do Impacto e Desafios de Rastreabilidade
- Efeito “vitrine” regulatória: A habilitação para o mercado europeu serve como um atestado de conformidade sanitária que facilita negociações com outros mercados rigorosos, como Japão e Coreia do Sul.
- Exigência de ciclo completo: A nova regra europeia exige comprovação de que o animal não recebeu antimicrobianos proibidos durante toda a vida. Anteriormente, a Lista Trace exigia a comprovação apenas nos últimos 100 dias antes do abate (diferente da Cota Hilton, que já exigia restrição vitalícia).
- Risco de desestímulo ao produtor: Sem o prêmio pago pelos europeus, pecuaristas tendem a suspender custos com chips, brincos e auditorias, direcionando o rebanho para programas de exportação nos EUA ou para o mercado interno de carnes nobres.
- Retomada de longo prazo: Pesquisadores do Cepea-USP alertam que, mesmo com a revisão do veto, a retomada do fluxo exportador pode levar de 2 a 3 anos, tempo necessário para criar e abater novos lotes sob as exigências de ciclo completo.
Para Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea-USP, “a Europa é uma vitrine seja por causa das exigências em termos de rastreabilidade, seja pela remuneração. Como produzir um boi dentro do padrão europeu custa mais, é natural que parte dos pecuaristas deixe de seguir esses protocolos se não receber um prêmio por isso.”
Fonte: Da Redação, com informações do G1
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