Alta do farelo coincidiu com câmbio mais apreciado e corte de R$ 1 bilhão no Proagro, combinando pressão de custo com crédito mais restrito
Soja a US$ 13,17 em Chicago pressiona custo de ração e aperta margem de aves e suínos

A cotação da soja em Chicago ganhou força e encostou em US$ 13,17 por bushel, segundo a CNN Agro. O movimento pressiona o custo do farelo de soja, principal insumo proteico das rações, e chega à cadeia de aves e suínos em um momento de margens já estreitas. Na mesma sessão de referência, o dólar fechou em queda, com PTAX em R$ 5,1570 em 1º de setembro, conforme a Agência Brasil — câmbio mais apreciado que reduz a competitividade relativa das exportações de proteína.
O cenário de oferta doméstica pode aliviar a pressão no médio prazo, mas não imediatamente. A primeira estimativa da Emater/RS-Ascar para a safra de verão 2026/27 no Rio Grande do Sul projeta crescimento de 8,64%, para 35,639 milhões de toneladas, puxada pela soja, com destaque também para o milho. Maior oferta gaúcha de grãos tende a pressionar para baixo os custos de ração no Sul a partir da colheita — mas até lá, o produtor convive com o farelo mais caro. No mercado do insumo, a Conab publicou o resultado final do credenciamento para comercialização de farelo de soja, definição que afeta diretamente a formação de preço do produto.
No crédito, o quadro piorou. O Proagro, principal programa de custeio e investimento rural, sofreu redução de R$ 1 bilhão no orçamento de 2027, segundo a CNN Agro, restringindo o acesso a recursos de produtores e cooperativas. Complementa o alerta o estudo do Observatório do Crédito e Seguro Rural, da FGV Agro: o seguro rural ficou com metade do necessário no Orçamento de 2027 — seriam precisos R$ 2,37 bilhões para recuperar a cobertura de 2021. O subfinanciamento eleva a exposição financeira a riscos climáticos justamente quando o custo de produção sobe.
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Na demanda, há um fator de cautela. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, após alta de 1,1% no primeiro, segundo o IBGE — desaceleração que economistas associam ao arrefecimento do consumo das famílias, com potencial reflexo na demanda por proteína animal. A agropecuária, por sua vez, avançou 2,8% no trimestre e sustentou o resultado.
Na aquicultura, a Peixe BR projeta recuperação dos preços da tilápia nos próximos meses, após um primeiro semestre pressionado pela queda sazonal do consumo e pelo avanço das importações.
Da Redação























