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Exportações de frango a árabes caem 24% no acumulado do ano

Brasil vem enfrentando problemas com o frango, o segundo produto da pauta, aponta Câmara de Comércio

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Exportações de frango a árabes caem 24% no acumulado do ano

As exportações brasileiras de frango para os países árabes registraram uma queda de receitas, de janeiro a julho, da ordem de 23,92%, somando US$ 1,2 bilhão. Nesse período, o total exportado pelo País somou US$ 6,05 bilhões, o que representa queda de 15,38% sobre o mesmo período de 2016. Apesar disso, houve aumento de 6,08% no volume embarcado para 22,48 milhões de toneladas, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Segundo a entidade, as receitas foram menores porque exportadores de açúcar e frango, que são 60% da pauta, resolveram priorizar o mercado nacional.

O Brasil vem enfrentando problemas com o frango, o segundo produto da pauta, aponta a Câmara de Comércio. Embora o frango não registre quedas bruscas no preço, desde o ano passado, a Arábia Saudita, o maior mercado exterior para a ave brasileira, vem questionando o método de abate no Brasil, que não seguiria as regras do Islã por incluir insensibilização elétrica.

Os sauditas vetaram o frango fora de padrão, posição seguida por outros países árabes, enquanto o lobby brasileiro tenta mudar a seu favor a norma técnica de abate da Gulf Standard Organization, espécie de Inmetro da Península Arábica.

Grandes exportadores, no entanto, já se adequaram às exigências e aceitaram até sacrificar margens, pois o abate sem insensibilização tem perdas maiores. Mas os frigoríficos menores saíram do mercado e o espaço foi ocupado por turcos e americanos, que vêm conseguindo vender frango com preço não muito distante da competitiva ave brasileira.

“O Brasil deve prestar atenção à essa situação. Temos tradição de fornecer aos árabes, o quarto destino das exportações brasileiras, frango de valor agregado e nossos esforços devem continuar nesse sentido”, defende o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun.

Outros produtos

Boa parte da redução das exportações brasileiras, contudo, é creditada à super-safra mundial de açúcar, que compõe 27% das vendas aos árabes. No acumulado, o Brasil vendeu US$ 1,66 bilhão do produto, queda de 35,63%.

Desde o ano passado, a superprodução na Índia vem derrubando a commodity em 30% em média, sem deixar perspectiva de recuperação pelo menos até o ciclo 2019/20. Num esforço de equilibrar receitas, as usinas brasileiras vêm dirigindo uma parte maior da moagem para o etanol de demanda doméstica.

O resultado foi a redução dos embarques de açúcar e, na mesma proporção, da participação do Brasil no suprimento aos árabes.

A lacuna foi ocupada por Índia e Tailândia, países que não têm acesso a um grande mercado de etanol como o Brasil, mas têm açúcar em escala e a vantagem de estarem mais próximos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes e do Egito, todos mercados de grande demanda.

Os grãos também tiveram crescimento. A soja rendeu US$ 212,19 milhões, alta de 37,48%. O milho, US$ 183,53 milhões, 42,90% mais. A entidade credita a elevação aos esforços da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes em estimular a produção interna ainda incipiente de proteínas.

Os minérios voltaram a ganhar importância. As vendas somaram US$ 851,65 milhões, 14% do total e alta de 34,72% na comparação, reflexo da recuperação dos preços dessas commodities.

A carne bovina rendeu US$ 513,86 milhões no acumulado, alta de 1,39%, avanço pequeno considerando que os volumes subiram 15,84%. A maior disponibilidade da carne australiana nos últimos meses forçou o preço para baixo.

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