Luiz Vicente Suzin presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), fala sobre os novos desafios do setor
Ocesc aposta no crescimento das cooperativas em 2016

Dinamizando a economia do Estado e colaborando com as políticas públicas, o cooperativismo tornou-se instrumento essencial de desenvolvimento, integração e inclusão no cenário sócio-econômico catarinense.
Nessa entrevista, Luiz Vicente Suzin presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), discorre sobre os novos desafios do setor.
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Quais são suas metas no comando do Sistema Ocesc/Sescoop?
Em primeiro lugar, é necessário lembrar que eu participo há muitos anos do Conselho de Administração da Ocesc, portanto, sempre acompanhei as decisões, planos e programas que inovaram e dinamizaram as atividades em favor do cooperativismo catarinense. Em segundo lugar, a instituição cuja presidência acabo de assumir vive uma excelente fase e sua atuação tem ampla aprovação da comunidade cooperativista catarinense, das autoridades, da imprensa e dos órgãos de fiscalização. Assim, vamos dar continuidade ao trabalho tão bem conduzido pelo ex-presidente Marcos Zordan. Na verdade, há um quadro que se repete: há oito anos, Zordan me passou o comando da Fecoagro, agora, ele me transmite a presidência da Ocesc. Manteremos todas as ações que estão em andamento e aprimoraremos o que for possível e necessário.
Em qual estágio se encontra o cooperativismo catarinense?
O tamanho do setor cooperativista de Santa Catarina é o ideal, se considerarmos as características do Estado e um processo de crescimento ordenado, sólido e estruturado na observância dos princípios que o regem há mais de um século. No aspecto econômico há um aumento médio 12% a 20% nos últimos anos, o que coloca o setor em destaque no cenário Estadual. Para 2016 deveremos crescer de 6% a 8%, o que é muito bom se comparado ao quadro geral de recessão que domina a economia brasileira. O número de cooperativas de todos os ramos existentes em Santa Catarina continua relativamente estável. O dinamismo do cooperativismo barriga-verde, entretanto, manifesta-se no número de associados (cooperados), que aumenta em torno de 8% a 10% ao ano.
Qual é o nível de intercooperação do sistema cooperativista catarinense?
É muito bom. Intercooperação não é palavra vazia e, na verdade, é o sexto dos sete princípios do cooperativismo mundial. Preconiza a parceria, a ação conjunta, o relacionamento institucional, político e comercial entre as cooperativas, prática que leva ao fortalecimento recíproco das cooperativas e, por extensão, do sistema. São muitas e várias as formas de intercooperação. Pratica-se a intercooperação quando a cooperativa de produção agrícola entrega a safra de grãos para uma cooperativa regional que a industrializa e, por sua vez, entrega o produto a uma cooperativa central que abate e processa aves, suínos, bovinos etc. Ou quando a cooperativa de crédito financia a cooperativa habitacional etc. Outros desafios são a aprovação da lei geral do cooperativismo que dormita no Congresso há mais de dez anos e a regulamentação do ato cooperativo, ou seja, a relação econômica do associado com sua própria cooperativa.
Por que até hoje não foi regulamentado o ATO COOPERATIVO, velha e justa reivindicação das cooperativas brasileiras?
Apesar do imenso esforço da Organização das Cooperativas Brasileiras junto ao Congresso Nacional, verificamos, com pesar, que a imensa maioria dos parlamentares federais desconhece o cooperativismo – sua doutrina, seu papel econômico, seus efeitos sociais e a contribuição que oferece ao desenvolvimento do Brasil. Por isso, há dificuldade em aprovar as matérias de interesse das cooperativas e de imensa faixa da população. O Congresso Nacional aprovou apenas a regulamentação do ato cooperativo para os ramos (segmentos) agropecuário, crédito e transporte. Falta estender esse benefício aos outros ramos. A lei geral do cooperativismo ainda não foi votada. Ato cooperativo é a relação econômica que o associado mantém com sua própria cooperativa.
A sociedade brasileira adotará o cooperativismo como modelo de organização econômica e social como fizeram alguns países mais avançados?
Este é o sonho dos cooperativistas: um dia o cooperativismo será bandeira de todos. O cooperativismo deixou de ser apenas uma doutrina bonita, apurada e reconhecida mundialmente para transformar-se em um grande e eficaz instrumento de transformação da sociedade humana. Os estudos comprovam que, nas regiões onde atuam, as cooperativas elevam o índice de desenvolvimento humano (IDH). Muito além do proselitismo, essa constatação resulta das preocupações com a qualidade de vida dos colaboradores, cooperados e familiares, com o meio ambiente, com a redução da emissão de poluentes, com educação, saúde e lazer, dentre outras. Os postulados da ACI concorrem para esses resultados, razão pelas quais os apoiamos integralmente. Gostaríamos de salientar que, dentro dos pontos mais importantes no cooperativismo, a comunicação é a forma de chegar aos quatro cantos do mundo para dar uma melhor oportunidade de crescimento aos associados.
Quais os principais ramos do cooperativismo do Estado?
O setor agropecuário responde por aproximadamente 64% do peso econômico das cooperativas no Estado de Santa Catarina. Tem importância significativa também as cooperativas da área de saúde, crédito, infraestrutura e consumo as quais, além da considerável contribuição econômica, tem um importante papel na distribuição de renda e apoio social. Também são expressivos os demais ramos: transporte, trabalho, produção, habitacional, mineral, especial e educacional.
Como o setor cooperativista catarinense se diferencia de outros Estados?
Vamos falar do ramo agropecuário que é o maior de todos. As características de minifúndios do Estado de Santa Catarina levam os produtores rurais a maior necessidade de união objetivando a otimização de sua renda. Esse aspecto, aliado aos inúmeros serviços prestados pelas cooperativas a seus associados, resultam numa maior integração. Em outro angulo, há intenso direcionamento das atividades das cooperativas no sentido de agregar valor aos produtos primários, o que proporciona a melhoria da remuneração dos associados. Finalmente o forte empenho dos últimos anos na linha de reestruturações, racionalização de custos e elevação de escala tem permitido a obtenção de resultados positivos.





















