Novo modelo baseado em risco cria zonas restritas mais flexíveis e reforça biossegurança diante de ameaças sanitárias
Reino Unido revisa estratégia contra peste suína africana e amplia medidas de controle e vigilância

O governo do Reino Unido atualizou sua estratégia de controle da peste suína africana (PSA), com a introdução de novas zonas restritas que poderão ser aplicadas conforme a evolução da doença. A proposta adota um modelo mais flexível, baseado em risco, com o objetivo de conter possíveis surtos sem impor restrições excessivas aos produtores.
A nova estrutura prevê três tipos de zonas de controle, desenhadas para evitar limitações generalizadas à movimentação de suínos vivos e produtos, reduzindo problemas como superlotação e permitindo a continuidade das atividades nas granjas. Paralelamente, os requisitos de vigilância foram reforçados, com inspeções veterinárias em propriedades localizadas nas áreas de controle e ampliação dos testes para facilitar a detecção precoce da doença.
O sistema de licenciamento de movimentação também foi ampliado e passa a considerar critérios de risco, permitindo o deslocamento de animais dentro das zonas sob supervisão veterinária, especialmente em situações ligadas ao bem-estar e à manutenção dos ciclos produtivos.
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Segundo a ministra de Biossegurança, Baronesa Hayman, as mudanças buscam reduzir pressões desnecessárias sobre os produtores, manter elevados padrões de bem-estar animal e garantir uma resposta rápida e segura em caso de surto.
Entre as atualizações, o plano estabelece regras mais claras para eventual proibição nacional de circulação, amplia a flexibilidade no controle da carne — possibilitando a comercialização de determinados produtos sob condições específicas — e detalha procedimentos de limpeza e desinfecção para orientar o reabastecimento das granjas. O período mínimo das zonas de proteção também foi reduzido para 15 dias após as etapas iniciais de higienização, condicionado aos resultados da vigilância.
A estratégia ainda reforça a aplicação do princípio de regionalização, permitindo que áreas livres da doença mantenham suas exportações mesmo diante de focos localizados.
Representantes do setor avaliaram positivamente as mudanças, especialmente pelo potencial de facilitar a regionalização em caso de surto e pelo reforço nas ações de vigilância. Ainda assim, há preocupações quanto à capacidade das autoridades sanitárias de lidar simultaneamente com diferentes enfermidades, como gripe aviária e língua azul.
Outro ponto de atenção envolve o futuro acordo sanitário e fitossanitário entre o Reino Unido e a União Europeia, previsto para entrar em vigor no verão de 2027, e seus impactos sobre os controles de importação. O setor também alerta para o risco da entrada da PSA por meio de carnes ilegais, após apreensões significativas em portos.
Especialistas destacam que o país enfrenta desafios adicionais devido às características de seu sistema produtivo, com grande presença de rebanhos criados ao ar livre e intensa movimentação de animais. Nesse contexto, reforçam a necessidade de ampliar medidas de biossegurança e vigilância, incluindo o monitoramento de animais silvestres, além de estimular produtores a aprimorarem seus planos de contingência para reduzir os riscos de introdução e disseminação da doença.
Fonte: Pig progress























