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Economia

“Brasil será o grande competidor mundial na produção de aves”

Gerente geral de mercado externo da Coopercentral Aurora Alimentos, Dilvo Casagranda, palestrou em evento no Sul do País.

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“Brasil será o grande competidor mundial na produção de aves”

“Cenários para a carne de frango brasileira” foi o tema da palestra do médico veterinário e gerente geral de mercado externo da Coopercentral Aurora Alimentos Dilvo Casagranda, na nesta semana durante o XIII Simpósio Brasil Sul de Avicultura, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó.

Produção da avicultura brasileira, características do sistema de produção, posicionamento da indústria, mercado mundial globalizado e índices de exportações foram apresentados pelo palestrante de maneira a responder o questionamento: “até onde vai o crescimento da avicultura no Brasil?”.

De acordo com Casagranda, levantamento do período de 2007 a 2011 revela que a produção de carne bovina no mundo se manteve estável, a suína subiu na ordem de 10% e a de frango cresceu aproximadamente 20%. “O consumo se manteve muito similar e as exportações demonstram que a carne bovina se mantém no mesmo patamar, a suína subiu de maneira significativa e a de frango é a que despontou, com crescimento extraordinário”, complementou.

Os fatores que contribuem para este cenário são o sistema de produção tecnicamente eficiente e competitivo, o sistema de integração exemplar, a alta capacidade de explorar o potencial produtivo e a rápida adaptação às tecnologias. Para o médico veterinário, a indústria brasileira está bem posicionada, com características modernas e eficazes – medidas importantes que gerem todo o sistema-, e adaptável às variações de mercado que atualmente está passando por transformação para automação.

O mercado mundial globalizado está tornando os setores mais competitivos. A divisão por continentes mostra que a América do Norte tem 21% da produção mundial de aves, a América Latina e Caribe 21%, Ásia 33%, Europa 17%, África 5% e Oceania 3%, o que corresponde a 97 milhões de toneladas de carne de aves no mundo. De acordo com Casagranda, o Brasil registrou em 2011 crescimento do setor de 6,77% em comparação a 2010, com a produção de 13 milhões de toneladas e o terceiro produtor mundial, com 16% de representatividade.

No trade mundial da carne de frango são comercializados 10 milhões de toneladas por ano. O Brasil participou no ano passado com aproximadamente 4 milhões de toneladas exportadas, o  que reflete no crescimento de 3,2%. “Somos, desde 2004, o primeiro no ranking mundial de exportação de carne de aves, com 40% de participação”, complementou.

A produção brasileira está distribuída principalmente nos três estados do Sul: Paraná com 28%, Santa Catarina com 18% e Rio Grande do Sul com 15%. O principal estado exportador é Santa Catarina, seguido por Paraná e o Rio Grande do Sul. Da carne de peru, no Brasil, no período de 2010 a 2011, houve um decréscimo de 9,4% na produção, caindo de 337 mil toneladas para 305 mil toneladas. No mundo, a estimativa de produção não muda e está em 5 milhões de toneladas.

O destino da carne de frango brasileira é de 69,8% para o mercado doméstico e 30,2% ao mercado externo, o que representa crescimento interno superior ao de exportação, com ampliação de 43 para 47 quilos de carne habitante/ano. “Esse incremento está solidificado pelas características peculiares e a forma diversificada que a carne é consumida, por isso, são absorvidos todos os tipos de cortes”, explicou. Além disso, a carne carrega o conceito de saudável, tem penetração em todas as regiões do Brasil, é utilizada por todas as classes sociais e o principal fator do crescimento no consumo é o preço.

Atualmente, os principais consumidores da carne de aves são os Emirados Árabes, Kuwait, Barein, Arábia Saudita, Jamaica, Catar e o Brasil. As exportações brasileiras de carne de frango tem registrado crescimento de 3,2%. “Há espaço para vender todas as partes. A Europa compra peito de frango, a China os miúdos e asa, o Japão pernas e o Oriente Médio o frango inteiro”, comentou o palestrante. Das exportações, 38% são de frango inteiro (1 milhão e 500 mil toneladas), 52% de cortes, 5% dos processados e 5% salgado.

Com análise nos mercados internacionais, Casagranda explicou que a Índia é uma incógnita e precisa ser estudada, pois o consumo per capita é de 1,6 quilo por ano. A China é o boom do mundo com uma população de 1,2 bilhão de pessoas e manterá consumo intenso. A Rússia está levando sua produção com investimentos públicos e de importador poderá passar para exportador. Enquanto isso, o Oriente Médico se manterá um dos maiores consumidores de frango per capita. Por meio deste cenário, o Brasil terá condições de ser o grande competidor mundial, pois tem potencialidade de recursos, capacidade produtiva e rápida adaptação às mudanças mercadológicas.

“Acredito na continuidade do crescimento da avicultura brasileira, porém, é preciso fazer nosso dever de casa e resolver alguns gargalos para manter nossa competitividade com logística, infraestrutura e política tributária que tem gerado custos adicionais à produção brasileira”, finalizou.

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