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Etanol deixa milho 17% mais caro

Os subsídios do governo americano ao etanol já podem ter inflado em até 17%, de modo artificial, os preços do milho em 2011.

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Etanol deixa milho 17% mais caro

Os subsídios do governo americano ao etanol já podem ter inflado em até 17%, de modo artificial, os preços do milho em 2011. A estimativa consta em um estudo que o Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentável (ICTSD, na sigla em inglês) divulga nesta semana, dias após o Senado dos Estados Unidos aprovar uma emenda que extingue o incentivo de US$ 5 bilhões ao setor. Atualmente, os produtores que usam a mistura de gasolina com etanol recebem um crédito tributário de US$ 0,45 por galão.

O ICTSD, um “think tank” com sede em Genebra, avalia que os altos preços da gasolina estimularam o consumo de etanol, criando um cenário de aperto na oferta doméstica de milho. “Sob essas condições, o incentivo aos misturadores tem um impacto significativo sobre os preços do grão”, afirma Bruce Babcock, professor da Universidade Estadual de Iowa e autor do estudo, em comunicado. Para ele, a política americana para o setor poderia ser mais flexível em períodos de escassez da matéria-prima.

O uso de milho para a fabricação de etanol mais do que triplicou desde 2004, de 36 milhões para quase 130 milhões de toneladas – o volume corresponde a praticamente toda a produção brasileira de soja e milho prevista para este ano. A oferta não acompanhou a demanda, e a participação do biocombustível na destinação da safra praticamente quadriplicou nesse período. De cada 10 sacas colhidas em solo americano, 3,8 vão abastecer alguma destilaria, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com isso, os americanos já usam mais milho para fabricar etanol do que ração para abastecer a produção de carnes.

Se a produção americana de etanol tivesse se mantido nos níveis de 2004, sugere o estudo do ICTSD, os preços do milho em 2009 seriam aproximadamente 21% inferiores aos registrados. No período, os preços da commodity mais do que triplicaram em meio ao crescimento não só dos biocombustíveis, mas da demanda por alimentos nos países em desenvolvimento. O enfraquecimento do dólar e os crescentes fluxos de capital especulativo para os mercados futuros de commodities também contribuíram para a guinada nas cotações.

Embora tenham caído quase 12% na última semana, os preços futuros do milho negociado na bolsa de Chicago dispararam cerca de 85% nos últimos 12 meses. No dia 9, alcançaram um dos maiores patamares da história depois que o USDA reduziu em 22% sua projeção para os estoques locais de passagem da safra 2011/12. O volume previsto é o menor em 15 anos.

O ajuste reflete o impacto das severas chuvas sobre as áreas de cultivo, especialmente no Estado de Ohio. Os estoques globais também foram reduzidos, em 13%, para o menor nível em cinco anos – em grande parte, resultado do aumento do consumo na China. No Brasil, a colheita da safra de inverno está atrasada, resultado do atraso no plantio. De acordo com boletim divulgado ontem pela consultoria Céleres, apenas 2,5% das lavouras foram colhidas até a última sexta-feira, ante 9,7% no mesmo período de 2010.

A preocupação com o nível e a volatilidade dos preços agrícolas deve dominar a pauta dos ministros de agricultura do G-20, que se reúnem em Paris a partir de quarta-feira (22).

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