Leia entrevista de Nelson Arnaldo Kowalski, presidente da Associação Brasileira da Industria do Milho (Abimilho).
“Lentidão nos portos é pedra no sapato da indústria do milho”
Redação (07/04/2009)- Dando sequência ao espaço criado pelo PortoGente para expor os anseios e as expectativas dos empresários que fazem parte da cadeia produtiva brasileira, publicamos nesta semana uma entrevista exclusiva com o presidente da Associação Brasileira da Industria do Milho (Abimilho), Nelson Arnaldo Kowalski. No bate-papo da última sexta-feira (3), ele falou sobre a lentidão que cerca os portos brasileiros, reclamou do pouco caso do Poder Público para com as ferrovias e pediu um pacote de isenções fiscais mais amplo.
“O problema é que o mundo crê em uma crise de dois anos de duração. E eu trabalho com esse prazo, não posso me arriscar. E o Brasil perde chances incríveis ao deixar de investir em ferrovias. Hoje, elas são poucas, lentas e fazem qualquer um optar pelo transporte rodoviário. Estamos perdendo uma ótima oportunidade em investir nos buracos abertos com a crise”. Leia a entrevista completa abaixo.
PortoGente – A crise está afetando o setor de milho? Quais as previsões para 2009?
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Nelson Kowalski – Na verdade, essa crise mundial acabou gerando mais lentidão nas negociações, pois o mercado está longe do aquecimento que vinha registrando até o ano passado. Muitos planos de investimento previstos para Brasil e exterior tiveram de ser revistos, passaram para a fase de espera. E isso porque o setor de milhos não está sendo tão afetado como a metalurgia, por exemplo. Não tenho os números em mãos no momento, mas a queda não foi tão assustadora. O problema é que o mundo crê em uma crise de dois anos de duração. E eu trabalho com esse prazo.
PortoGente – Como o senhor classifica a atuação do Governo Federal na crise?
Nelson Kowalski – O Governo vai bem sim, não tenho o que falar sobre isso, pois as medidas necessárias foram tomadas pela equipe econômica do Palácio do Planalto. Agora, não posso deixar de observar que os incentivos fiscais deveriam ser mais abrangentes, não só privilegiar a indústria e a construção civil. Sabemos quais as prioridades da União e o quanto estes segmentos representam ao País, mas o milho se trata de uma produção diferenciada e representa muito ao Brasil. Mas não podemos reclamar do Governo. Somos sempre ouvidos pelo Ministério da Agricultura, em uma relação cordial e profissional.
PortoGente – O que precisaria ser melhorado nos portos, nas rodovias, em hidrovias e nos outros modais?
Nelson Kowalski – Para quem não sabe, os estados que mais exportam milho são Paraná, Mato Grosso e Goiás. Os produtores paranaenses não sofrem tanto, pois têm o Porto de Paranaguá por perto. Já o pessoal do Mato Grosso e de Goiás paga o preço da distância física. Há dois anos, me recordo que tivemos uma produção absurda, acima da média. E sofremos um bocado com os portos. Os terminais não tinham capacidade para tanta carga, os caminhões pararam na estrada e assim foi o ano todo.
PortoGente – Os portos são a principal dor de cabeça?
Nelson Kowalski – Não sei se a principal, mas uma das mais importantes causas. Já passou da hora de termos no País novos portos, um avanço significativo na mão de obra avulsa que atua nos terminais, encarece a movimentação de cargas e nos complica. Não se trata de nada contra a categoria, mas algo poderia ser revisto. Tudo é muito lento, as licitações para portos, rodovias e hidrovias demoram muito para ser concluídas. E o Brasil perde chances incríveis ao deixar de investir em ferrovias. Hoje, elas são poucas, lentas e fazem qualquer um optar pelo transporte rodoviário.
PortoGente – Como a Abimilho lida com a questão do milho transgênico?
Nelson Kowalski – Quem quer o seu tipo de milho que plante o seu. Eu não sou contra os transgênicos, até porque sei que, do ponto de vista de negócio, o milho transgênico apresenta-se como a saída para a agricultura. O interesse da Abimilho é que haja uma segregação bem feita entre os milhos tradicionais e os modificados geneticamente, pois nossos clientes europeus são muito rígidos quanto a isso. E não vamos jogar fora um mercado conquistado com esforço. Também exportamos demais para Ásia, em especial Japão e Coreia, para a Nova Zelândia, na Oceania, e para a África. E se não fosse o protecionismo de muitas nações, conquistaríamos mais mercados.





















