Confesso que não sou nenhum otimista por ser otimista, sou daqueles otimistas realistas, com o pé no chão. Leia artigo sobre o mercado de suíno.
Contrapondo – Parte III – por Carlos Francisco Geesdorf
Confesso que não sou nenhum otimista por ser otimista, sou daqueles otimistas realistas, com o pé no chão. No entanto, quase embarquei na onda do “agora vai”, quase embarquei… Explico o porquê.
Vejam as manchetes: “Suinocultura: um futuro promissor”, “Empresa X embarca carne suína desossada para a China”, “Primeiro de muitos embarques de carne suína para a China”, “China inicia importação de carne suína e são embarcadas x toneladas”, “Todos em busca da carne suína brasileira”, “Mercado irá se abrir para o mundo”. Visita de ucranianos, coreanos, japoneses, pigmeus, chilenos, venezuelanos, habitantes dos Pirineus, representantes da frente unida ao combate à fome, representantes da elite consumidora de carne suína no mundo e por ai vai.
Diante disso, é lógico pensar que os suinocultores iniciarão um período de bons preços, estabilidade na atividade, começarão a ter lucro, pagarão seus financiamentos, irão quitar suas dividas, modernizar suas instalações, melhorar ainda mais sua genética no plantel, contribuir mais ainda para o aumento do PIB e para a balança comercial brasileira.
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Aliado a todo esse otimismo, a taxa SELIC foi reduzida e a CONAB colocou milho à venda para o produtor por preços razoáveis. Enfim, tudo contribuindo para um cenário bom. Mas, deixa estar que alegria de pobre dura pouco, não é esse o ditado?
Surpreendentemente, vem a noticia de que a indústria resolveu baixar o preço do suíno vivo em 4.65% a partir desta segunda-feira, dia 12. Então, eu pergunto: baseado em que? Qual o argumento técnico? Acordado com quem?
Devo concluir que, devido à queda da taxa SELIC, os derivativos renderão menos e para manter o equilíbrio financeiro da organização é necessário reduzir o preço da matéria prima na fonte? Ou que, devido à redução dos preços de insumos componentes da planilha de custo de produção, o suinocultor irá auferir lucros extraordinários e será necessário um ajuste para que se mantenha a estabilidade em todos os elos da cadeia?
Bom, eu sou apenas um suinocultor e essas equações devem ser resolvidas por pessoas preparadas. Então, para encontrar a igualdade passando pela resolução das incógnitas (que não são poucas) e chegando a raiz da equação, necessitamos de especialistas no assunto, por exemplo, mestres, doutores, PHD’s, estudiosos do mercado da formação de preços, do marketing do consumo ou das formas e estratégias de comunicação para criar valor e satisfação para toda a cadeia.
Será necessário fazer diversos workshops, montar estratégias com equipes muito bem treinadas, com vários assessores, discutir durante muito tempo as variáveis do complexo problema, tirar fotos, colocar na mídia e sensibilizar todos os elos da cadeia.
Como não temos, aparentemente, essas pessoas vamos apelar para o Ministro Guido Mantega ou para o Deputado Tiririca, quem sabe não encontramos uma solução a altura do que merecemos. Enquanto isso, sobrevivamos!
Carlos Francisco Geesdorf é produtor e presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS).





















