De acordo com o banco para 2023 compras chinesas no mercado externo devem retomar, se elevando entre 5 e 10% com relação a 2022
Rabobank: Exportações para China devem sustentar a produção brasileira

De acordo com o relatório “Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2023” do banco Rabobank as exportações de carne suína para a China devem sustentar a produção brasileira no próximo ano.
Segundo a publicação A oferta global de carne suína deve seguir pressionada em 2023, resultado da desaceleração da produção na China a partir da segunda metade desse ano e das expectativas de novas quedas nos abates da União Europeia e Reino Unido, por conta do forte aumento dos custos de produção da alimentação e da energia. Para os analistas a questão sanitária ligada a Peste Suína Africana (PSA) também tem sido outro fator importante, já que o número das regiões atingidas tem aumentado em relação ao ano anterior.
Especificamente sobre a China, o relatório aponta que a forte liquidação no rebanho de matrizes reprodutoras, que se iniciou na metade do ano passado e se intensificou no início de 2022 devido aos baixos preços no mercado local, resultou em queda de 6,3% nos estoques de porcas no segundo trimestre desse ano no comparativo anual.
Leia também no Agrimídia:
- •Isenção tarifária americana e aberturas na África reforçam movimento de diversificação de destinos
- •Chicago: Clima nos EUA e dados de biocombustíveis puxam grãos para baixo em dia de correção técnica
- •Peste Suína Africana ressurge na Alemanha e quebra trégua de erradicação na fronteira polonesa
- •Custo do suíno recua em SC, mas alta dos grãos em julho esmaga margem do produtor paulista
Esta redução impactou diretamente no potencial produtivo de carne suína, que vinha de forte recuperação, e forçou a retomada das importações a partir do segundo semestre desse ano para atender a demanda doméstica e recompor os estoques estratégicos controlados pelo governo.
Para os analistas do banco holandês este novo ciclo na suinocultura chinesa, focado na estabilização dos preços e da produção, deve continuar trazendo oportunidades para o Brasil em termos de demanda, não somente pela competitividade em termos de preços, mas também, pelo potencial de oferta e pela segurança sanitária. A estimativa é que as compras chinesas no mercado externo devem retomar, se elevando entre 5 e 10% com relação ao ano anterior.
Mercado Interno
No mercado interno, a forte queda nas margens no início do ano ocorreu devido à combinação de queda sazonal nos preços do suíno vivo e aumento recorde nas cotações da ração, o que impactou negativamente o setor produtivo, principalmente, o produtor independente.
A publicação aponta que o aumento no descarte de matrizes como forma de reduzir os custos e potencializar as margens corroborou para elevação da produção na primeira metade do ano. Mas o relatório enfatiza, que uma parcela dos produtores integrados, mesmo com a pressão nas margens, conseguiram manter o ritmo de produção, especialmente devido à melhora na eficiência e/ou bons posicionamentos com relação à compra e armazenagem de ração.
Para 2023, a expectativa de plantio recorde de grãos, caso não ocorram grandes interferências do clima e no conflito entre Ucrânia e Rússia, devem elevar a oferta no mercado doméstico e reduzir os patamares de preços do insumo que representa entre 70 e 75% dos custos de produção.
O banco considera que um dos principais desafios deve estar no mercado doméstico, que viu este ano viu melhora no consumo guiado pelo aumento na demanda por produtos processados e embutidos.
Outra projeção é que no próximo ano a maior oferta de carne bovina deve reduzir a competitividade da carne suína, não somente pela menor diferença de preços, mas também, pelo forte apelo cultural por esse tipo de carne que aceita por uma boa parcela da população.
O Rabobank projeta novo incremento na oferta de 1% em 2023. Guiados principalmente pelas exportações que devem recuperar 2% do volume embarcada com relação a este ano.
O banco alerta que o início de 2023 será o primeiro desafio para o setor com a redução sazonal na demanda para a China e a queda sazonal do consumo doméstico, são fatores que devem trazer um cenário de pressão nos preços do suíno vivo e da carne suína no atacado/varejo, com o próprio mercado testando o poder de compra do consumidor.
Os analistas apontam que a procura por novos destinos deve se manter como um dos principais objetivos do setor de exportação no próximo ano. Com a tendência de manutenção da recomposição do plantel suíno da China e recuperação da oferta global, é esperado uma elevação da competitividade no mercado externo























