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Agricultura

Custos da próxima safra sobem com inflação, fertilizantes e trigo em alta

Pressão sobre insumos e crédito se intensifica, enquanto mercado internacional sinaliza possível alívio para grãos

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Custos da próxima safra sobem com inflação, fertilizantes e trigo em alta

O ambiente de custos para a próxima safra se deteriorou nesta semana, pressionado por uma combinação de fatores que vão da inflação mais alta ao encarecimento de insumos estratégicos. A projeção do IPCA para 2026 subiu para 5,04%, ao mesmo tempo em que fertilizantes registram valorização em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevando o custo de produção no campo.

A alta dos fertilizantes tem efeito direto sobre as lavouras e tende a se refletir ao longo de toda a cadeia produtiva. No Sul do país, o trigo também apresenta forte valorização. No Rio Grande do Sul, as cotações já superam R$ 1.000 por saca, sustentadas pela restrição de oferta na entressafra e pela postura mais cautelosa dos vendedores.

No mercado externo, o movimento é distinto. Fundos de investimento reduziram posições compradas em soja e milho na Bolsa de Chicago, o que pode indicar uma acomodação nos preços dessas commodities no curto prazo. O cenário abre espaço para possíveis oportunidades de compra, embora o câmbio ainda represente um fator de pressão, com o real desvalorizado encarecendo produtos atrelados ao dólar.

O contexto macroeconômico amplia as incertezas. Com a inflação projetada acima do centro da meta, o custo do crédito rural tende a permanecer elevado, limitando o acesso ao financiamento para custeio e investimentos. Esse fator pesa especialmente em um momento de aumento generalizado das despesas no campo.

A Reforma Tributária surge como outro ponto de atenção. Ainda em fase de consolidação, as mudanças exigem adaptação por parte dos produtores e agentes do setor, com impactos que variam conforme a atividade e o modelo de negócio.

Indicadores recentes mostram uma dinâmica desigual entre os segmentos agropecuários. Enquanto a pecuária apresentou leve alta, os grãos registraram recuo, alterando a relação de troca e influenciando as decisões de plantio e comercialização.

No horizonte de médio e longo prazo, a validação da Ferrogrão pelo Supremo Tribunal Federal é vista como um avanço para a logística do país. A expectativa é de redução nos custos de transporte de grãos e produtos agropecuários, embora os efeitos concretos ainda dependam do andamento das próximas etapas do projeto.

Diante desse cenário, o setor agropecuário acompanha com atenção os desdobramentos econômicos e de mercado, que devem seguir determinantes para o custo de produção e a rentabilidade da próxima safra.

Fonte: Agência Brasil, CNA, CEPEA, Secex/ComexStat

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