Reportagem de 1979 revela avanço silencioso de contaminações em rações e os impactos diretos na produção avícola brasileira
TBT Agrimidia: Micotoxicoses em foco, um alerta que já preocupava a avicultura nos anos 1970

No fim da década de 1970, a avicultura brasileira vivia um período de expansão e modernização, com aumento da produção e maior intensificação dos sistemas. Nesse cenário, começavam a ganhar destaque problemas sanitários menos visíveis, mas de grande impacto econômico. Foi nesse contexto que a Revista Avicultura Industrial publicou, em setembro de 1979, um alerta importante sobre as micotoxicoses, assinado pelo médico veterinário José Nunes Filho.
O texto chamava atenção para um fenômeno que, à época, já se tornava mais frequente no país: doenças em aves associadas ao consumo de grãos contaminados por fungos produtores de toxinas. A preocupação era direta. Com o crescimento do uso de rações armazenadas e o aumento da escala produtiva, criavam-se condições ideais de umidade e temperatura para o desenvolvimento desses microrganismos.
A reportagem explicava que as micotoxinas são substâncias produzidas por fungos durante seu crescimento, podendo estar presentes tanto ainda no campo quanto no armazenamento dos grãos. Entre os principais gêneros citados estavam Aspergillus, Fusarium e Penicillium, já reconhecidos como importantes produtores dessas toxinas. O problema não era apenas a deterioração do alimento, mas o efeito direto dessas substâncias no organismo das aves.
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O autor detalhava que as micotoxinas podem atingir diferentes órgãos, com destaque para fígado e rins, além de afetar o sistema digestivo e reprodutivo. Entre elas, as aflatoxinas apareciam como as mais relevantes para a avicultura, especialmente pela sua alta toxicidade e presença comum nas rações.
Na prática, os efeitos descritos incluíam perda de apetite, atraso no crescimento, piora na conversão alimentar, queda na produção de ovos e aumento da mortalidade. Os lotes se tornavam desuniformes, com reflexos diretos na produtividade. Em casos mais graves, lesões internas como alterações hepáticas, hemorragias e problemas intestinais eram observadas nas necropsias.
A matéria também abordava medidas de controle, que passavam principalmente pela identificação da fonte de contaminação e pela substituição de ingredientes comprometidos. O manejo da cama, o controle de umidade e o uso de substâncias antifúngicas eram recomendados, além de suporte nutricional às aves afetadas.
Mais do que um diagnóstico técnico, o texto de 1979 refletia uma mudança de percepção dentro da cadeia produtiva. A sanidade deixava de ser apenas uma questão de doenças infecciosas e passava a incluir fatores ligados à qualidade dos insumos. Décadas depois, o tema segue atual, mas aquele alerta inicial ajuda a entender quando a avicultura brasileira começou a olhar com mais atenção para um inimigo invisível que ainda hoje exige vigilância constante.
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Fonte: Revista Avicultura Industrial de setembro de 1979, edição 837, ano 70.























