Detecção em ave marinha migratória ocorre semanas após a vizinha Austrália perder o status de área livre continental; autoridades neozelandesas garantem que granjas comerciais seguem protegidas
Nova Zelândia registra primeiro caso de gripe aviária H5N1

A barreira de isolamento geográfico da Oceania contra a gripe aviária sofreu mais um revés. A Nova Zelândia confirmou oficialmente o seu primeiro registro da cepa H5N1 de alta patogenicidade. De acordo com o ministro da Biossegurança do país, Andrew Hoggard, o vírus foi identificado em uma ave marinha migratória que utilizava a costa do país como rota de passagem.
O anúncio acende o sinal de alerta para a avicultura local, repetindo a preocupação gerada recentemente na Austrália, que registrou seus primeiros casos continentais há poucas semanas. Até meados deste ano, a região da Oceania era considerada a única grande massa de terra do planeta ainda imune à presença do H5N1 de alta patogenicidade em seu território continental.
Sem avanço na avicultura comercial
Apesar do diagnóstico histórico em solo neozelandês, o governo local tratou de tranquilizar o setor produtivo e a população. Segundo Andrew Hoggard, as medidas de monitoramento indicam que o caso é isolado e não há sinais de descontrole biológico na fauna local.
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“Não há evidências de mortalidade em massa na vida selvagem ou de transmissão ativa entre as aves silvestres dentro da Nova Zelândia. Além disso, nenhuma detecção foi feita em criações domésticas ou comerciais”, destacou o ministro em comunicado oficial.
Do ponto de vista de segurança alimentar, as autoridades reforçam que a gripe aviária não é transmitida a seres humanos por meio do consumo de carne de frango ou ovos, desde que os alimentos sejam preparados adequadamente.
O avanço do vírus no continente vizinho
A descoberta na Nova Zelândia acompanha o rastro do vírus na Austrália Ocidental, que confirmou duas ocorrências de H5N1 em um intervalo de menos de uma semana. Na oportunidade, os diagnósticos foram feitos em espécies migratórias: um mandrião-pardo e um petrel-gigante-do-norte, este último localizado debilitado em uma praia próxima à cidade portuária de Esperance.
Até esses episódios, a presença do vírus em território sob jurisdição australiana limitava-se a uma detecção no final de 2025 na remota Ilha Heard, uma região subantártica desabitada e distante milhares de quilômetros da costa. Os registros recentes forçaram o governo australiano a blindar suas fazendas comerciais, elevando o rigor na testagem de aves costeiras e ativando planos de contingência de biossegurança.
Alerta global para o mercado de proteínas
Embora as infecções humanas pelo vírus H5N1 permaneçam raras no mundo, a disseminação descontrolada da doença entre aves silvestres gera graves consequências comerciais. Nos últimos anos, surtos em outros continentes obrigaram o descarte sanitário de centenas de milhões de aves de postura e de corte, desestabilizando cadeias de abastecimento globais e provocando forte pressão inflacionária sobre os preços da carne de frango e de ovos.
Tanto a Nova Zelândia quanto a Austrália mantêm suas granjas comerciais intactas até o momento. No entanto, a proximidade da doença exige vigilância redobrada dos produtores locais para evitar que a transmissão chegue aos sistemas de confinamento intensivo, o que poderia prejudicar o comércio regional de carnes.
Fonte: G1























