Empresa afirmou que não vê sustentação no pedido de bloqueio de bens no valor de R$ 520 milhões determinado pela Justiça, após pedido do Ministério Público.
Eucatex vai recorrer da decisão de bloqueio de bens
A direção da Eucatex, fabricante de painéis de madeira, pisos laminados e tintas controlada pela família do empresário e político Paulo Maluf, disse ontem que não vê sustentação no pedido de bloqueio de bens no valor de R$ 520 milhões determinado pela Justiça, após pedido do Ministério Público.
Até ontem à tarde, a companhia ainda não havia sido notificada, porém já trabalhava para recorrer da decisão com base em informações veiculadas na imprensa. A Eucatex informou também que não acredita que o bloqueio de bens, divulgado quarta-feira, levará ao adiamento do cronograma de listagem da ECTX, empresa que já recebeu cerca de 90% dos ativos florestais e industriais da Eucatex, no Novo Mercado da BM&FBovespa. A previsão é de início das negociações com os papéis ON da ECTX em junho.
“A ECTX é uma subsidiária integral. Portanto, não é possível dizer que há esvaziamento do patrimônio da Eucatex, uma vez que a ECTX é da Eucatex”, afirmou o diretor vice-presidente e de relações com investidores da empresa, José Antonio Goulart de Carvalho.
Criada entre o fim de 2011 e o início de 2012, a ECTX é 100% controlada pela Eucatex e pediu em meados de dezembro o registro de companhia aberta. Ao fim do processo de reorganização societária, os atuais acionistas da Eucatex terão participação idêntica na ECTX, incluindo a família Maluf, que permanecerá no controle da companhia. Hoje, os Maluf possuem 60% das ações ordinárias da Eucatex (as ON representam um terço do capital total da empresa), além de uma fatia reduzida do capital preferencial (que representa os outros dois terços). Na ECTX, a participação da família no capital social será de aproximadamente 20%.
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O bloqueio de bens da Eucatex foi determinado pela 4ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo após pedido do Ministério Público, que vê essa transferência de patrimônio entre as empresas como uma maneira de o ex-prefeito Paulo Maluf evitar o pagamento de indenizações, em caso de futuras condenações nas ações em que é apontado como autor de desvios na Prefeitura.
Segundo a Folhapress, a 4ª Vara da Fazenda Pública entendeu que o requerimento do Ministério Público mostra a “possibilidade de defraudação do patrimônio” da Eucatex, embora a decisão possa ser alterada caso a empresa demonstre que o bloqueio trará danos irreversíveis a ela.
Carvalho afirmou que esperava ter acesso ainda ontem ao processo e entender melhor o teor do bloqueio. “Houve, sim, prejuízo aos mais de mil acionistas da Eucatex, que viram suas ações perderem valor em bolsa com base nessa notícia”, afirmou. Ontem, a ação PN da Eucatex fechou a R$ 8,20, em queda de 6,82%.
O executivo afirmou ainda que o patrimônio líquido da Eucatex aumentou após a criação da ECTX, de R$ 997 milhões em 2011 para R$ 1,1 bilhão em 2012, diante do lucro apurado no exercício, o que também derrubaria a tese do Ministério Público. “Vamos mostrar que essa tese não faz sentido.”
No ano passado, a Eucatex registrou lucro líquido de R$ 88,4 milhões, em linha com os R$ 88,2 milhões de 2011. A receita líquida da companhia cresceu 7,2%, para R$ 963,5 milhões. No mercado de painéis de madeira, a principal concorrente da empresa é a Duratex, controlada pelo grupo Itaúsa, e que se fundiu há alguns anos com a Satipel.
A ECTX, segundo Carvalho, poderá receber até abril o aval da BM&FBovespa e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a listagem no Novo Mercado, dentro do processo de reorganização societária da companhia.
Em apresentação a analistas sobre os resultados do quarto trimestre, em 21 de março, Carvalho disse que, após o sinal verde para a listagem em bolsa, haverá início do processo de migração dos acionistas preferencialistas de Eucatex para as ações ordinárias de ECTX, na proporção de um para um.
A reestruturação societária em curso prevê a criação de uma nova classe de ações da Eucatex – as preferenciais classe B -, que serão resgatáveis mediante entrega de ações ordinárias de emissão da ECTX.























