Pela primeira vez desde 1980, mais da metade dos embarques ao exterior no primeiro semestre foi de bens primários.
Balança tem superávit, mas só o setor primário avança

A concentração das exportações brasileiras em produtos básicos, apesar da queda nos preços das commodities, atingiu o ponto mais alto em três décadas e meia. Pela primeira vez desde 1980, mais da metade dos embarques ao exterior no primeiro semestre foi de bens primários. De janeiro a junho deste ano, os básicos representaram 50,8% de tudo o que o país exportou. Essa proporção, que era de 25% em 2002, já havia subido para 47,5% no mesmo período do ano passado.
Os produtos manufaturados reduziram sua participação para o menor nível também desde 1980 e hoje equivalem a 34,4% das vendas totais, em um movimento que o governo atribui à lenta recuperação econômica nos principais mercados.
Em junho, a balança comercial obteve um superávit de US$ 2,365 bilhões. Apesar desse resultado, o primeiro semestre ainda registrou um déficit acumulado de US$ 2,490 bilhões. De qualquer forma, houve evolução em relação ao saldo verificado em igual período do ano passado, quando a entrada de importados havia superado as exportações em US$ 3,074 bilhões.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, evitou fazer projeções, mas disse apostar na “perspectiva” de fechar o ano no azul. “Há um nível de incertezas sobre a economia mundial que torna impossível fazer uma previsão para a balança”, disse o ministro.
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A conta-petróleo, que mede a diferença entre as exportações e importações de óleo bruto e derivados, ajudou no resultado do primeiro semestre. O déficit nessa conta recuou de US$ 11,9 bilhões para US$ 8,7 bilhões. A redução está em linha com a expectativa do governo, mas contrasta com um aumento de 43% nas importações de petróleo e combustíveis em junho, isoladamente.





















