Exportações em recuperação alimentam otimismo global. Números não indicam recuperação completa, mas confirmam tendência de melhora no comércio mundial.
Exportação mundial em recuperação
Dados recentes de alguns países exportadores mais importantes alimentaram a esperança de que o comércio internacional esteja em recuperação, o que pode ser o elo que falta na nascente recuperação econômica mundial.
Brasil, Coreia do Sul e Taiwan já divulgaram os dados do comércio em setembro e todos mostraram expansão frente ao mês anterior, embora o nível ainda esteja bem menor que os níveis de um ano atrás. Apesar de os números mais recentes não indicarem uma recuperação completa, confirmam a tendência de melhora no comércio mundial nos últimos meses.
“Parece que há uma recuperação no comércio, mas ainda é cedo para dizer se é resultado do estímulo fiscal ou é espontâneo”, disse Mark Matthews, estrategista focado na Ásia e Oceania do banco de investimento Fox-Pitt Kelton, em Hong Kong.
Leia também no Agrimídia:
- •Mapa avança negociações sanitárias com a Coreia do Sul para aves, ovos e carne suína
- •Síndromes respiratórias, sanidade e cenário global marcam a edição de fevereiro da Revista Suinocultura Industrial
- •Argentina confirma novo surto de Influenza Aviária em granja comercial e reforça alerta sanitário na avicultura
- •A avicultura brasileira e o mercado mundial de carnes no Anuário Avicultura Industrial
Um dos fatores que dão suporte a essa hipótese é que os mercados mundiais ainda estão esperando para ver se uma demanda tardia na temporada de fim de ano pode levar os varejistas dos países ricos a aumentar os pedidos.
Taiwan informou esta semana que o valor total de suas exportações caiu 12,7% em setembro frente a um ano atrás, um declínio muito menor do que em agosto, quando foi de 24,6%. Semana passada a Coreia do Sul divulgou uma tendência semelhante. O valor de suas exportações caiu 6,6% frente a um ano atrás, o menor declínio dos últimos 11 meses, e subiu a um ritmo dessazonalizado de 11,1% em relação ao mês anterior. As exportações brasileiras foram um pouco mais altas em setembro do que em agosto, mas ainda estão 31% menores que o nível de 2008, devido, em parte, ao declínio das commodities este ano.
Mas nem tudo são boas notícias no mercado mundial. A Malásia informou ontem (08/10) que suas exportações caíram 19,8% em agosto frente a um ano atrás. Foi mais do que os economistas esperavam e representa um declínio de 2% em relação a julho.
A desvalorização recente do dólar continua a dificultar a vida de vários países que contavam com a recuperação do comércio mundial para impulsionar suas economias. Especialmente o Japão, que sofre com o encarecimento de suas exportações causado pela valorização do iene. O Japão informou ontem que as exportações voltaram a melhorar em setembro, crescendo a um ritmo dessazonalizado de 3,2%. Mas ainda são 37,1% menores do que há um ano.
Até pouco tempo atrás, a Coreia do Sul e Taiwan se beneficiavam da relativa fraqueza de suas moedas durante a crise financeira. Mas essa tendência está começando a mudar, à medida que o dólar se desvalorização em relação a um número crescente de moedas, e não só o iene. Brasil, Coreia do Sul e Taiwan tiveram de intervir em seus mercados cambiais nos últimos dias para desacelerar a valorização de suas moedas em relação ao dólar. Se essas moedas se desvalorizarem demais, podem prejudicar setores exportadores que concorrem com a China, que manteve inalterado o câmbio entre o yuan e o dólar.
Um quadro mais completo sobre o comércio mundial deve surgir nos próximos dias. Os EUA divulgam hoje seus números do comércio internacional para agosto. A China divulga segunda-feira os dados do comércio em setembro. O Fundo Monetário Internacional calcula que o volume de comércio mundial vai cair 11,9% este ano e crescerá 2,5% no ano que vem.
Uma pergunta importante em relação ao comércio mundial é se a demanda dos consumidores americanos e europeus vai impulsionar uma corrida tardia às compras quando começar a temporada de fim de ano, no mês que vem. Os pedidos para o fim do ano tradicionalmente começam no meio do ano. Mas este ano, os varejistas dos países ricos adiaram as decisões até o último minuto ou estão fazendo pedidos menores com mais frequência. Eles não querem uma repetição do ano passado, quando os estoques permaneceram cheios enquanto a demanda diminuía por causa da crise financeira.
“Tem sido bem devagar”, diz Andy Lau, que chefia a Calan Worlwide Ltd., um pequeno exportador de Hong Kong de brinquedos e badulaques para os EUA e Europa. Ele diz que os pedidos estão chegando aos poucos mas ainda é muito menos que os níveis de alguns anos atrás. Os pedidos de fim de ano ainda não começaram a chegar e ele espera que os compradores finalmente comecem a aparecer nas feiras e convenções de outubro.
Alguns acreditam que os varejistas dos países ricos subestimaram a demanda, o que cria as condições para uma corrida de última hora no comércio internacional para a temporada de compras de fim de ano.
Russell Napier, estrategista global da CLSA Asia-Pacific Markets, acha que as previsões negativas sobre a economia não se concretizarão no curto prazo porque as empresas simplesmente estavam pessimistas demais sobre o reabastecimento dos estoques. “Existe uma possibilidade convincente de ocorrer escassez de brinquedos neste Natal”, diz. “As empresas cortaram demais os estoques”.
Se for assim, os próximos meses podem assistir a uma expansão de última hora nos serviços de transporte aéreo de carga. Até agora, contudo, isso não aconteceu. Os carregamentos aéreos de Hong Kong para a América do Norte, por exemplo, subiram levemente de março a agosto, último mês cujos dados estão disponíveis. Mas ainda estão muito menores que um ano atrás. Foram transportadas 30 mil toneladas de carga para a América do Norte em agosto, ante 35 mil ano passado e 40,5 mil em 2007.





















