Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 65,64 / kg
Soja - Indicador PR ↓ R$ 152,22 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 158,88 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 10,23 / kg
Suíno - Estadual SP ↓ R$ 6,81 / kg
Suíno - Estadual MG ↓ R$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual PR ↓ R$ 5,80 / kg
Suíno - Estadual SC ↓ R$ 5,98 / kg
Suíno - Estadual RS ↓ R$ 5,90 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 130,28 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↑ R$ 130,43 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 142,46 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 139,79 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 121,35 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↑ R$ 133,98 / cx
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,22 / kg
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,24 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↓ R$ 1.569,82 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.482,17 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↑ R$ 153,87 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↓ R$ 127,79 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 133,72 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 148,67 / cx
Economia

Juro alto, remédio simplista – Por Pedro de Camargo Neto

Do mirante financeiro, aumento de juros é sempre bom, aliás, muito bom, lembrando a espetacular lucratividade do setor. Mas o crescimento econômico exige maior criatividade.

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Não tem sentido o Brasil continuar a ter o maior juro real do mundo. Os argumentos se alteraram junto com a qualidade da economia. No passado, o Brasil apresentava problemas econômicos crônicos. O juro elevado era necessário. A realidade, hoje, é outra, e a única coisa que permanece é a obsessão por juros altos.

Responsabilidade fiscal, política monetária com metas de inflação e superávits comerciais criaram as condições para o sucesso do presente. É preciso valorizar o passado, porém, entender que o presente apresenta desafios diferentes.

As expectativas inflacionárias deste momento são fundamentalmente diferentes do que foram no passado. O remédio fácil do aumento de juros não é o mais adequado para preparar o futuro.

O aumento de juros parte do processo inflacionário. Parece-nos, entretanto, que neste momento seu efeito refletirá unicamente em pequeníssima parcela de preços da economia. A maior parte dos preços, cuja estatística mede a inflação, estão fora do alcance do amargo remédio do aumento de juros.

Juros não têm influência em preços administrados ou de serviços. E pouco importam nos reflexos de efeitos climáticos ou sazonais. Não terão efeito sobre preços de commoddities do mercado internacional ou impacto nas questões cambiais do mercado externo.

Certamente, é um instrumento imperfeito. Imaginar que represente controle adequado para as variações da estatística, neste momento, é de um simplismo injustificável para o grau de sofisticação e competência que alcançamos.

É preciso avançar e sairmos do simplismo do aumento de juros, pois os efeitos colaterais negativos são hoje maiores do que os benefícios. É preciso compreender a evolução da economia, criando instrumentos que permitam acelerar o crescimento sem perder a estabilidade conquistada.

A visão da paisagem depende da localização do mirante. Mais do alto ou mais de baixo, do lado esquerdo ou do direito, o que se observa no horizonte é diferente. Infelizmente, o mirante dos responsáveis pela política monetária fica no coração do sistema financeiro.

Do mirante financeiro, aumento de juros é sempre bom, aliás, muito bom, lembrando a espetacular lucratividade do setor. O crescimento econômico sustentado exige, porém, maior criatividade e competência do que este remédio simplista. Está na hora de descerem do mirante, procurando outros ângulos para a visão do crescimento econômico futuro.

Não se trata de questionar fundamentos da teoria econômica. É o ângulo de visão que é diferente para enxergar caminhos alternativos para o futuro.

Por Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) – Especial para o portal Brasil 247.

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