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Suinocultura abandonada

Preço baixo do quilo do suíno vivo faz criadores desistiram da atividade no Rio Grande do Sul e Paraná. O alto custo da ração também é motivo de reclamação.

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Suinocultura abandonada

A criação de suínos passa por um momento delicado. O alto custo da ração e o baixo preço pago pelo quilo do porco vivo estão levando criadores a abandonar a atividade.

Roque Avrella é criador independente há 20 anos em Porto Mauá, no Rio Grande do Sul. Desde o fim do ano passado, ele acumula prejuízos que passam de R$ 150 mil por mês. Segundo ele, a culpa é do alto custo de produção. “Trabalhando com dois anos de prejuízo, eu vejo que o melhor é parar com a atividade parar com a atividade para não ter mais prejuízo”, diz.

Somente as matrizes estão nos chiqueiros e aos poucos serão descartadas. Mesmo tendo qualidade genética, os animais devem ser abatidos até o fim do ano.
“Uma matriz custa ao produtor em torno de R$ 500 a R$ 600. Quando abater, você vai pegar em torno de R$ 400 por matriz. Os machos, que a gente faz uma aquisição para a central, por cerca de R$ 20 mil, teremos de eliminar os animais pegando R$ 500 por animal”, avalia Avrella.

Outros criadores não esperarão até o fim do ano. Eles já pararam. Na granja onde eram engordadas mais de mil cabeças de suínos, há um mês os galpões estão vazios e sem utilidade.

O criador Italino Smaniotto conta que o prejuízo era de um real por quilo de porco entregue para abate. Com o que ganhou nos últimos dois anos não conseguiu pagar sequer a reforma dos galpões, que custou R$ 150 mil. “Se fosse olhar, dá depressão na pessoa. Mas não adiante. Tem que levantar a cabeça e vamos ver o que vamos fazer prá melhorar”, diz.

Na granja em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná, os criadores já começaram a diminuir o número de animais.

A criadora Eliandra Borghezan se desfez de 700 porcos para reduzir os gastos. Hoje, o quilo da carne, vendido a R$ 1,80, não cobre nem os custos. Segundo os produtores, seria preciso receber R$ 2,50 por quilo para não haver prejuízo. Só em junho, a perda na propriedade chegou a R$ 64 mil reais. Dois empregados foram demitidos.

“Em junho o banco liberou um custeio ainda. Mas julho eu já não sei. Começam a vencer os custeios feitos no ano passado e não tem chance nenhuma da gente conseguir pagar. É triste, é assustador”, diz Eliandra.

O criador Dionísio Mohler tem 20 mil animais e 25 funcionários. Ele vende a um frigorífico da região 2,5 mil porcos por mês. Cada animal vendido significa uma perda de R$ 80.

Os prejuízos acumulados na propriedade nos últimos dois meses chegam a R$ 400 mil reais. Fica difícil pensar até em como pagar as dívidas.

“Tem muita gente pensando em desistir. Só que acontece que a suinocultura você não consegue desistir dela em curto prazo. Pelo porte da minha granja, levaria em torno de um ano de prazo para acabar com ela. O que a gente está pensando é correr atrás de recurso e manter a atividade”, diz Mohler.

Nesta semana, uma missão brasileira ira à Rússia discutir a suspensão das vendas de carne suína. O Brasil apresentará uma lista com 140 frigoríficos aptos a exportar imediatamente, de acordo com as exigências dos russos. O governo brasileiro investirá ainda R$ 50 milhões em laboratórios de análise de alimentos.

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