Prejuízos provocados por excesso de oferta de carne no Brasil e alta nos custos faz criadores do Oeste do Paraná desistirem da atividade.
Crise afeta a cadeia de suínos no Paraná

A crise que afeta a cadeia de suínos e já levou 10 prefeituras de Santa Catarina a decretarem estado de emergência, chegou ao Paraná. Diante de elevados custos de produção e baixa nos preços recebidos pelas granjas, os criadores paranaenses também entraram estado de alerta. O quadro crítico é considerado o pior de todos os tempos e tem feito o número de produtores da carne cair no estado. Na região de Toledo, no Oeste do estado, o número de criadores caiu quase à metade nos últimos 5 anos e tende a piorar. De 1,5 mil para 800 em, conforme Associação Regional dos Suinocultores do Oeste do Paraná (Assuinoeste). “Se a crise não estagnar, mais gente vai desistir”, diz Darci José Batckes, presidente da entidade. Referência nacional em produção de suínos, Toledo tem hoje o maior plantel do estado, com economia dependente da atividade. Dos mais de R$ 1 bilhão que a região fatura com a produção agrícola, cerca de R$ 400 milhões partem das granjas de porcos. Já o Oeste abriga metade da produção paranaense da carne.
A crise da suinocultura começou, de forma mais efetiva, há um ano com os embargos russo e argentino. Na falta de comprador externo, a oferta do produto aumentou significativamente no Brasil, deixando o mercado interno sobrecarregado. Segundo a Associação Paranaense de Suinocultores (APS), o aumento da produção na região Sul foi de 8% em 2011.”Estávamos com o setor estabilizado, com equilíbrio entre oferta e demanda, mas surgiram rumores de que haveria uma maior abertura para o mercado externo, o que incentivou aumento na produção”, resume Carlos Francisco Geesdorf. “O comércio com a Rússia é abalado por um jogo político. A gota d’água foi a Argentina, que também restringiu as compras, fazendo com que sobrasse muita carne no mercado”, complementa.
O aumento da oferta é resultado dos investimentos que o setor promoveu nos últimos anos na expectativa do aumento da exportação. Como isso não se concretizou, a saída adotada pelas grandes empresas, que representam cerca de 80% do mercado, foi despejar o produto no mercado interno. “Elas [empresas] dominam as vendas. Porém, quando não acontecem, a opção é jogar o preço lá embaixo para vender no mercado interno”, lamenta Batckes. “Para os pequenos e médios produtores vale mais abater o animal na hora que nasce para não ter prejuízo.”
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Diante do agravamento do quadro da suinocultura no Paraná, muitos produtores estão mudando de ramo. O criador Ivacir Cerutti, de Toledo, é um dos poucos que ainda aposta na criação de porcos, apesar de o lucro estar praticamente empatado com os custos. Ele diz estar entregando o quilo do suíno vivo a R$ 1,60, abaixo da média, de R$ 1,80 por quilo, apontada para a região. Ele vende 200 animais por semana para um comprador independente e ainda não largou a atividade porque consegue reduzir seus custos processando o farelo de soja e produzindo ração na própria granja. “Prefiro vender à vista a perder de vista”, brinca Cerutti. “O que a gente precisa hoje é de preço mínimo”, sugere.
Para agravar a situação, o custo aumentou em função da alta dos preços do milho e farelo de soja, produtos utilizados na alimentação dos animais. Com isso, criar um porco até o momento do abate custa, em média, R$ 2,50 por quilo, sendo que os produtores recebem R$ 1,70 por quilo ou até menos na hora da venda. “O crescimento do preço [da ração] foi astronômico. Todos esses fatores convergiram para a crise atual”, reforça Geesdorf.





















