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Alimentos no atacado devem continuar desacelerando, prevê Votorantim

O economista Bruno Surano, da corretora, afirma que “as carnes vão continuar pressionando”, mas há uma compensação dos alimentos in natura.

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Alimentos no atacado devem continuar desacelerando, prevê Votorantim

A alta menos intensa nos preços dos grãos permitiu aos produtos agropecuários no atacado desacelerarem nas últimas semanas, e a expectativa da Votorantim Corretora é que esse movimento persista ao menos até o fim do mês, mesmo com o avanço nos preços das carnes. No Índice Geral de Preços -10 (IGP-10), primeiro indicador da família dos IGPs a ser divulgado no mês, os alimentos no atacado avançaram 3,83%, reduzindo seu ritmo de aumento tanto em relação do IGP-DI de agosto, quando a alta foi de 5,19%, quanto na comparação com o IGP-10 do mês passado, que apontou elevação de 6,23% nos produtos agropecuários no atacado.

Pelos cálculos da Votorantim Corretora, no IGP-M, a alta dos alimentos no atacado deverá ser reduzida ainda mais, para 2,86%. “As carnes vão continuar pressionando, mas há uma compensação dos in natura, que subiram muito e agora estão voltando”, explica o economista Bruno Surano. O tomate, que há pouco tempo figurava como o grande vilão da inflação de alimentos, já desponta entre as maiores contribuições para a desaceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo -10 (IPA-10), ao transformar a alta de 51,09% em agosto em deflação de 6,89% em setembro.

As carnes, por sua vez, apresentam com mais intensidade o impacto do aumento recente nos grãos. Os preços das aves subiram 11,92% neste mês, quase o triplo da alta de 4,57% vista em agosto, ao passo que o aumento em suínos chegou a 21,49%, após elevação de 11,44% em agosto. Ao mesmo tempo o aumento na soja, que foi de 15,62% no mês passado, passou a 5,46% em setembro, enquanto a elevação no preço do milho foi reduzida de 22,17% para 5,68% no mesmo período.

Na lista das maiores pressões sobre o Índice de Preços ao Produtor Amplo -10 (IPA-10) outro grão se destaca: o arroz. O preço do produto saltou 12,42% neste mês, seguindo alta de 4,49% em agosto. De acordo com Surano, o avanço deriva da seca que atinge as plantações no Rio Grande do Sul, mas estima-se que até novembro a situação seja normalizada e os preços se estabilizem.

No varejo, o aumento das carnes dá fôlego à inflação de alimentos, que pelos cálculos de Surano atingirá seu pico no IGP-M deste mês, quando a alta do grupo alimentação chegará a 1,20%. No IGP-10, a elevação foi de 1,09%, com alimentos preparados e congelados de aves subindo 6,42%. “Mas no IGP-DI já veremos um alívio, uma vez que o avanço de alimentos no varejo deverá ser de 0,90%.”

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