Um choque inesperado de alimentos deve aumentar a inflação no curto prazo e levar o Banco Central a estender o ciclo de aperto monetário iniciado em abril do ano passado.
Alimentos sobem e põem BC em alerta

Um choque inesperado de alimentos deve aumentar a inflação no curto prazo e levar o Banco Central a estender o ciclo de aperto monetário iniciado em abril do ano passado. Efeitos da estiagem sobre os preços agrícolas já foram capturados pelos índices de preços no atacado e devem chegar com mais intensidade aos índices ao consumidor em março, quando se espera que o IPCA, indicador oficial da inflação, tenha um repique e supere 6% na variação acumulada em 12 meses.
O BC reconheceu que enfrenta um novo choque de preços de alimentos, embora acredite que seja temporário – por decorrer de um fenômeno climático – e não tenha a mesma intensidade do ocorrido no início do ano passado, quando os preços in natura subiram 45,3% nos 12 meses até fevereiro. Ainda assim, a intenção da autoridade monetária é evitar que o choque se propague para outros preços da economia.
Ao participar ontem de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, incluiu a pressão dos preços agrícolas em sua comunicação e sinalizou a possibilidade de novas altas da taxa básica de juros (Selic).
Tombini disse aos senadores que a inflação acumulada em 12 meses mostra resistência e uma variação “ligeiramente acima” da prevista. “Somem-se a isso pressões localizadas que ora se manifestam, especialmente no segmento de alimentos in natura”, disse. Tombini afirmou que, em princípio, trata-se de um choque temporário e que tende a se reverter nos próximos meses. “Mesmo assim, a política monetária deve atuar de modo a garantir que os efeitos desse choque se circunscrevam ao curto prazo”.
Leia também no Agrimídia:
- •Carne suína do Brasil bate recorde histórico em março com alta superior a 30%
- •Avicultura e Exportação: Mesmo com crise no Oriente Médio, embarques de frango do Brasil crescem em março
- •Alagoas coleta amostras em 462 aves para reforçar vigilância contra Influenza Aviária
- •Exportação de frango recua e milho avança no Oriente Médio em meio a tensões geopolíticas
Embora os produtos in natura, que têm um ciclo rápido de produção, possam devolver no meio do ano boa parte da alta provocada pela seca, o mesmo não vale para as carnes, que pesam bastante na cesta de consumo e costumam absorver pressões por um tempo maior.





















