Demanda doméstica por tratores costuma aumentar no período.
Expectativa de recuperação de vendas de máquinas agrícolas no 2º semestre

Apesar da queda das vendas de máquinas agrícolas das montadoras para as revendas do país este ano, o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego, estima que o mercado deverá se recuperar no segundo semestre. É o período do ano de demanda mais aquecida por tratores, que representam o maior volume entre as máquinas que compõem as estatísticas da associação.
De janeiro a maio, as vendas domésticas de máquinas agrícolas e rodoviárias recuaram 19,7% ante o mesmo intervalo de 2013, para 27,119 mil unidades. Apenas em maio, a comercialização interna aumentou 1,4% em relação a abril e recuou 17,7% sobre o mesmo mês de 2013, a 6,153 mil unidades, conforme a Anfavea.
Rego acredita que os produtores rurais estão mais cautelosos em relação a investimentos, mas que deverão tomar suas decisões sobre o plantio da safra de verão após a Copa do Mundo, podendo, assim, retomar a aquisição de máquinas.
“A Anfavea não está trabalhando com uma queda de dois dígitos neste ano”, afirma Rego, referindo-se ao recuo que poderá ocorrer em 2014 na comparação com 2013. Entretanto, a associação ainda não mudou oficialmente sua projeção de estabilidade para as vendas internas de máquinas agrícolas em 2014. O ano passado registrou o melhor desempenho histórico nas vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias – foram, no total, 83 mil unidades.
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A retomada do Moderfrota para financiar a aquisição de máquinas agrícolas novas, anunciada no mês passado durante a divulgação do Plano Safra 2014/15, trouxe maior clareza e perspectiva de estabilidade para a linha de crédito, afirma o representante da Anfavea. Pelo menos por enquanto, tanto o Moderfrota quanto o Programa de Sustentação do Investimento (PSI, do BNDES) poderão ser usados para financiar a compra dos produtos.
O segmento enfrentou, com o PSI, uma interrupção no processo de fechamento de contratos diante da demora da regulamentação das novas condições da linha de crédito entre meados de dezembro de 2013 e o fim de janeiro deste ano, período de grande demanda por colheitadeiras.
A expectativa é que os juros anunciados para o Moderfrota – os mesmos do PSI (4,5% para pequenos produtores e 6% para a agricultura empresarial) sejam reajustados no fim do ano. As condições do Moderfrota ainda precisam ser regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Uma reunião com essa finalidade foi adiada para a próxima semana, afirma Rego.
Na área de exportações de máquinas agrícolas, o cenário não é nada animador. Embora o volume embarcado do país tenha crescido em maio sobre abril (23,8%) e ante maio de 2013 (12,7%), no acumulado de 2014 a quantidade exportada recuou 7,3%, a 5,372 mil unidades.
Para Rego, o aumento mensal nas vendas externas não representa recuperação das exportações, pois a base de comparação é muito baixa. Conforme ele, a Argentina, o principal mercado para os produtos brasileiros, continua não demandando máquinas por questões macroeconômicas. Produtores de lá estão estocando grãos e fazem apenas as aquisições que não podem postergar, observa ele.























