Redução nas projeções de estoques de milho nos Estados Unidos e ataques ao porto russo de Novorossiysk puxam cotações de grãos no mercado internacional
Grãos
Grãos sobem em Chicago impulsionados por relatório do USDA
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Os contratos futuros dos principais grãos negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a sessão desta quarta-feira (12 de agosto) em forte alta. O movimento de valorização foi impulsionado pela combinação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) com o agravamento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro.
Resumo do fechamento das commodities na Bolsa de Chicago (12/08/2026)
| Commodity | Vencimento | Preço de Fechamento | Variação Diária |
| Milho | Dezembro | US$ 4,80 / bushel | +4,40% |
| Trigo | Setembro | US$ 6,69 / bushel | +3,32% |
| Soja | Novembro | US$ 11,83 / bushel | +1,24% |
Mercado de milho reflete estoques menores nos EUA e risco logístico no Mar Negro
O contrato futuro do milho para dezembro liderou os ganhos na sessão, subindo 4,40%. De acordo com a consultoria Granar, o principal vetor da alta foi o corte significativo feito pelo USDA nas estimativas de estoques norte-americanos:
- Safra 2025/2026: A projeção para os estoques finais dos EUA caiu de 51,31 milhões para 49,40 milhões de toneladas, ficando abaixo da expectativa de mercado (50,78 milhões de toneladas). O ajuste decorre do aumento das exportações norte-americanas para um recorde histórico de 86,36 milhões de toneladas.
- Safra 2026/2027: Embora a estimativa de produção tenha ficado praticamente estável (406,75 milhões de toneladas), o órgão norte-americano elevou a projeção de exportações para 83,19 milhões de toneladas. Como resultado, os estoques finais foram reduzidos em 7,66%, caindo para 41,98 milhões de toneladas (ante 43,82 milhões de toneladas esperados por analistas).
Além dos fundamentos do USDA, o mercado acompanhou o impacto do ataque de forças ucranianas a um importante porto russo no Mar Negro. Como a Ucrânia é o maior fornecedor de milho para a União Europeia e o quarto maior exportador mundial do cereal, novos riscos sobre a infraestrutura de embarques aumentam a apreensão do setor sobre o abastecimento global.
Ataque ao porto de Novorossiysk dispara cotações do trigo
O contrato de trigo com vencimento em setembro avançou 3,32%, cotado a US$ 6,69 por bushel. O mercado reagiu à confirmação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sobre os ataques das forças do país contra o complexo portuário de Novorossiysk, na Rússia.
O evento provocou a paralisação dos três principais terminais do complexo (NKHP, NZT e KSK), que concentram cerca de 40% de todas as exportações russas de grãos.
“O terminal NKHP sofreu os danos mais graves da ação militar, incluindo o colapso de uma das principais galerias de carregamento de navios. Os estragos são graves e os reparos podem levar meses”, informa Andrey Sizov, CEO da consultoria SovEcon, sobre a infraestrutura que movimenta 7,1 milhões de toneladas de grãos por ano.
Soja avança a reboque dos vizinhos e de novas compras chinesas
A soja para entrega em novembro valorizou-se 1,24%, cotada a US$ 11,83 por bushel, acompanhando o movimento positivo registrado pelo milho e pelo trigo.
O mercado manteve a trajetória de alta estimulado pelo apetite comprador do mercado chinês e pela expectativa do encontro presencial entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente dos EUA, Donald Trump, agendado para o próximo mês em Washington. Paralelamente, o USDA confirmou a venda antecipada de 244 mil toneladas de soja da safra 2026/2027 para a China.
Dados da nova safra de soja do USDA
Apesar do fechamento positivo, os dados divulgados para a safra 2026/2027 dos EUA trouxeram viés fundamentalista baixista:
- Produção Recorde: Projetada em 122,99 milhões de toneladas (superando as 121,79 milhões do relatório de julho e acima da média de 121,71 milhões projetada pelo mercado).
- Área Plantada e Colhida: A área plantada foi revisada para cima, passando de 34,56 milhões para 35,13 milhões de hectares, com área colhida estimada em 34,72 milhões de hectares.
- Produtividade Média: Teve leve revisão negativa, caindo de 35,64 para 35,44 quintais por hectare.






















