Preocupações sobre a falta de chuvas no Centro-Oeste brasileiro estimularam um movimento especulativo de compras dos contratos futuros de soja na bolsa de Chicago.
Soja supera US$ 10 na bolsa de Chicago
Redação (27/09/07) – Em conseqüência, o preço da commodity voltou a superar os US$ 10 por bushel. Ontem, o contrato para janeiro encerrou o pregão cotado a US$ 1,0625 por bushel, com alta de 17,25 centavos – a cotação mais alta para um contrato de segunda posição desde 11 de maio de 2004, quando o papel chegou a US$ 10,2225.
Conforme Renato Sayeg, da Tetras Corretora, já há especulações de que a falta de chuvas começa a gerar atraso no plantio da nova safra. A agência de clima Meteorlogix prevê chuvas nos próximos dez dias no Rio Grande do Sul e Paraná, e clima seco e quente no Centro-Oeste brasileiro, informou a agência Dow Jones Newswires. "A safra sul-americana está projetada em 117 milhões de toneladas, o que representa 53% da produção global. Qualquer problema climático na região pode gerar fortes especulações, embora os preços atuais sejam considerados sobrevalorizados", diz Sayeg. Ele observa que o Departamento de Agricultura americano (USDA) projeta para a safra 2007/08 um preço médio entre US$ 7,35 e US$ 8,35 por bushel.
Sayeg também aponta como fatores de sustentação para a alta o recuo nos preços do petróleo, que ontem chegou a US$ 80,6 o barril, e notícias de que, dos dez Estados que plantam soja nos EUA, oito apresentam piora nos níveis de umidade do solo. "A colheita já está em 12% e problemas no solo não trarão grandes efeitos", avalia.
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Flávia Moura, analista da Fimat Futures, também citou como fatores altistas notícias de surgimento de ferrugem da soja em lavouras no Missouri e em Illinois, nos EUA, e notícias de quebra de safra na China devido à seca. "Mas o principal fator foi a alta do trigo, que estimulou as compras de fundos."
Ontem, o contrato de trigo para março subiu 30 centavos de dólar, alcançando o novo recorde de US$ 9,22 por bushel na bolsa de Chicago. Na bolsa de Kansas, o contrato para março subiu 29,25 centavos de dólar, para US$ 8,9825 por bushel. A analista observa que a seca na Austrália se estende e pode causar perdas ainda maiores à safra de trigo daquele país. "Por enquanto não há previsão de melhora do clima, o que deixa uma perspectiva de novas altas para o mercado", afirmou Flávia Moura.
Já o milho, observou a analista, só não acompanhou as altas do trigo e da soja devido ao avanço da colheita americana, que já alcança de 22% a 25% das lavouras. "A oferta do milho é um fator limitante para altas mais significativas nos preços", disse. Ontem, o contrato para março fechou em US$ 3,9075 por bushel, em alta de 3,50 centavos de dólar.





















