Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 69,25 / kg
Soja - Indicador PR R$ 154,95 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 162,02 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,85 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 5,02 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,13 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,58 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,69 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,65 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 142,62 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 143,76 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 156,38 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 156,61 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 133,77 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 147,35 / cx
Frango - Indicador SP R$ 8,33 / kg
Frango - Indicador SP R$ 8,33 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.509,74 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.385,09 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 161,30 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 135,16 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 146,43 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 157,70 / cx
Destaque Todas Páginas
Mercado Interno

Suinocultura mato-grossense pede socorro

Crise já dura 1,5 ano e criador continua absorvendo prejuízo de R$ 0,70 por quilo/vivo vendido no Estado.

Compartilhar essa notícia
Suinocultura mato-grossense pede socorro

Daqui três meses, o suinocultor Jackson Dulnik terá de tomar uma decisão que vem adiando há pelo menos um ano e meio: se permanece na atividade ou se volta à sua origem de engenheiro agrônomo. O proprietário da Granja Pig, em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), desabafa dizendo que não tem mais condições de arcar com prejuízo mensal de cerca de R$ 60 mil, em função da diferença entre o custo de produção do quilo do suíno vivo e o valor pago pelo mercado. O paranaense não é exceção nem no Estado e nem no Brasil e assim como ele outros suinocultores independentes – não estão ligados exclusivamente a um frigorífico – estão revendo a atividade.

Se para Dulnik, que está há sete anos na criação e ficou com a parte mais cara da atividade, a engorda, a hora da verdade está próxima. Para o jovem criador Gabriel Bordignon, de Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Cuiabá), a decisão entre sair e ficar pesa mais, já que a suinocultura está na família e entra na sua terceira geração. “Dá até dor no coração em dizer isso, mas se eu tivesse dinheiro para investir a suinocultura seria a última coisa que eu pensaria”. A família que chegou ao Estado em 1999, vinda de Santa Catarina, pagava cerca de R$ 6 a R$ 7 na saca do milho que agora custa entre R$ 22 e R$ 23 e a tonelada do farelo de soja passou neste mesmo período de R$ 300 para R$ 700. “A matéria-prima, que lá atrás foi atrativo do Estado pela grande oferta de grãos, triplicou e o preço pago pelo quilo/vivo se mantém com poucas variações positivas”. Ambos são independentes e plantam soja e milho. Gabriel produz 100% do cereal consumido pelo rebanho de 550 matrizes e mesmo assim contabiliza as mesmas perdas de Dulnik. “Com o milho nas cotações atuais nós mesmos não podemos sufocar o que seria lucro no cocho dos animais e só se manterá na atividade quem planta grãos”. Dulnik lembra que entrou para a suinocultura em 2006, justamente para diversificar a produção – após a crise da agricultura estadual na safra 2005/06, quando os custos de produção superaram a cotação do mercado. “A intenção era ter uma renda extra mensal, mas eu já reduzi o número de animais para engorda em 15%”.

Panorama – No Estado, o custo de produção – formado em 70% pela alimentação e desse total 80% são de milho e farelo de soja – está entre R$ 2,20 e R$ 2,30 por quilo vivo e o valor de mercado pelo mesmo quilo vivo gira em torno de R$ 1,50 a R$ 1,65. Com abate mensal de 170 mil suínos, o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Paulo Cézar Lucion, acredita que o déficit entre o descasamento da atividade – custo x receita – seja de R$ 11,90 milhões mensais no Estado. No país, como contabiliza o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, a perda por quilo vivo é um pouco maior, cerca de R$ 0,80, e isso representaria um déficit anual de cerca de R$ 3,5 bilhões. Lopes está rodando o Brasil para buscar soluções e apoio e mostrar o problema da suinocultura à sociedade.

Mato Grosso tem o maior rebanho suíno em escala do Brasil, 1,5 milhão de animais, sendo 120 mil matrizes, atrás apenas de plantéis do Sul do país (RS, PR e SC) e de Minas Gerais. Com embarques de cerca de 3,4 mil toneladas/ano, o Brasil é o quarto maior exportador mundial. “A crise que estamos vivendo contradiz o bom momento internacional e inclusive ao aumento do consumo per capita no Brasil, no entanto tem alguém dentro da cadeia produtiva que está ganhando com isso e não é o criador”. A ascensão das cotações do farelo de soja e do milho vem sendo a vilã da atividade nacional.

“O dinheiro que não entra está impactando na falta de reposição de animais nas granjas, de investimentos em geral, e agora terá um novo desdobramento, criadores deixando a atividade e demitindo funcionários. Diferente dos outros segmentos do agronegócio, estamos sem qualquer apoio do governo do Estado, em forma de incentivos e medidas emergenciais já solicitadas, como da União, que não facilita a aquisição de milho e nem enquadra a suinocultura dentro de uma política de preço mínimo”. A atividade movimenta cerca de 7,5 mil empregos diretos em Mato Grosso.

Socorro – Durante uma coletiva na manhã de ontem, Lucion fez um desabafo e disse que estavam ali para “implorar ao governo do Estado a implementação de ações emergenciais que possam aliviar o custo de produção e amenizar as perdas”. Como relatou, desde o ano passado a Acrismat tem procurado apoio do Estado, “no entanto cada vez que estivemos lá voltamos com o fardo mais pesado”. O primeiro golpe que sofreram após o embargo russo em 2011 – maior mercado à carne estadual – foi a retirada de um desconto de 50% sobre a taxa de energia elétrica e depois uma taxação de 17% referente ao ICMS de milho comprado da Conab. “Pagamos R$ 18,44 pela saca da safra 2008, milho velho, e na hora de carregar fomos surpreendidos com o imposto. Todas as despesas elevaram a saca para R$ 23, cotação para o milho novo que virá nesta nova safra”.

Assuntos Relacionados suinocultura
Mais lidas

Relacionados

AI – 1345
SI- edição 330
AI – Edição 1344
SI – Edição 329
AI – 1343