Empresa fez audioconferência para apresentar o diagnóstico sobre sua situação financeira feito pela KPMG.
Independência tenta acalmar pecuarista
O frigorífico Independência, que pediu recuperação judicial no fim de fevereiro, fez ontem audioconferência com pecuaristas para apresentar o diagnóstico sobre sua situação financeira feito pela KPMG. O relatório, chamado de “Análise Preliminar e Desempenho Financeiro Recente”, já havia sido apresentado a investidores no dia anterior e mostra que a empresa tem dívidas de R$ 3,450 bilhões.
Na apresentação de ontem, pecuaristas fizeram perguntas por meio de mensagem eletrônica, e a questão mais recorrente foi quando irão receber os valores referentes a fornecimento de boi antes de o Independência paralisar as operações e pedir recuperação judicial. “O fornecedor corre o risco de demorar 20 anos para receber?”, perguntou um dos pecuaristas.
Eduardo Pedroso, gerente de suprimento de matéria-prima do Independência, respondeu que “pecuaristas e demais fornecedores são prioridade” para a empresa, e que o frigorífico busca “alternativas legais para agilizar o pagamento de pecuaristas” no plano de recuperação que deve apresentar após o pedido ser deferido.
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Ele disse ainda que a empresa está “trabalhando junto a demais credores para que isso aconteça”, num sinal de que tenta negociar com aqueles que têm crédito maior para que aceitem receber depois dos pecuaristas.
Na lista de credores do Independência, os bancos são os campeões, com R$ 1,814 bilhão, ou 53% do total; a seguir vêm dívidas referentes a “notes”, de R$ 1,230 bihão e em terceiro os débitos com os fornecedores de boi, de R$ 172,4 milhões, ou 5% do total. “O caminho mais racional de retomada passa pelo acerto com os fornecedores que são a menor fatia”, comentou Pedroso. Na lista de credores os “outros fornecedores” aparecem com créditos de R$ 70,1 milhões.
Outra questão foi como o pacote de ajuda do governo aos frigoríficos poderia ajudar a empresa. Pedroso disse que a ajuda ainda não foi regulamentada e não se sabe como será o fluxo dos recursos. Caso o Independência possa ser beneficiado, afirmou, isso facilitará a retomada das operações.
Ele também afirmou esperar que o deferimento do processo de recuperação judicial ocorra “nesses dias”. Depois do deferimento, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação aos credores. Este deve incluir um plano de retomada “mais parrudo”, disse Pedroso, ao ser questionado sobre quando a empresa vai retomar as operações. “O objetivo é permanecer no mercado”, disse. Por enquanto, o Independência só retomou parcialmente a operação em Janaúba (MG).





















