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Agroindústria

A difícil tarefa de reerguer o Independência

Apesar do perdão de 50% previsto no plano aprovado, valor de débitos do Frigorífico Independência ainda é alto.

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A aprovação do plano de recuperação judicial do Independência após um período de nove meses em que a empresa fechou fábricas no País, demitiu milhares de funcionários, voltou a operar parcialmente e travou longas discussões com seus credores, é apenas um passo na difícil tarefa de reerguer o frigorífico.

O plano de recuperação aprovado pelos credores, numa assembleia que durou quase 12 horas na última quinta-feira, prevê que os acionistas “obrigam-se” a buscar a venda do controle da empresa. A questão que se coloca agora é se essa tarefa é exequível, já que mesmo com o perdão de 50% do valor das dívidas aceito pelos credores financeiros quirografários (sem garantia), os débitos da empresa permanecem muito altos.

As dívidas do frigorífico com essa categoria somam R$ 2,216 bilhões, mas na assembleia da quinta-feira houve abstenções e votaram credores para os quais a empresa deve R$ 1,530 bilhão – 69,6% aprovaram o plano. Entre os credores trabalhistas, com os quais as dívidas do Independência totaliza R$ 1,172 milhão, a aprovação foi de 100%. No caso dos credores financeiros com garantia real – R$ 69,184 milhões – a aprovação alcançou 98,35%.

Apesar de a venda do controle ter se tornado o foco do Independência, a empresa nega que haja negociações atualmente. Mas rumores continuam a surgir sobre conversações com JBS, Marfrig e Brasil Foods. Como diz uma fonte da indústria da carne no País, “todo mundo conversa”.

Questionado se uma venda da empresa é viável, Fabiano Tito Rosa analista da Scot Consultoria diz que “o Independência tem plantas boas e bem localizadas, mas apesar do desconto de 50%, a dívida continua enorme”. Do lado dos possíveis compradores, diz, há outra questão: todos estão alavancados após recentes aquisições. A Marfrig comprou a Seara, a JBS adquiriu a Pilgrim’s e incorporou a Bertin e a Brasil Foods (antiga Perdigão) digere a Sadia.

Para ele, uma eventual compra pela Brasil Foods seria benéfica pois reduziria a concentração na carne bovina. Outro analista aponta a falta de cultura da Brasil Foods no setor como um desestímulo à compra. Diante disso, avalia, o mais provável, no caso de uma eventual negociação, é que o Independência fique nas mãos de JBS ou Marfrig. “Essas empresas já compraram muito, mas não há terceira via”, comenta.

No caso de venda do controle, 50% do valor obtido serão divididos com os credores financeiros, segundo o plano. Isso foi definido depois que esses credores conseguiram incluir no plano uma cláusula que prevê que a empresa vai emitir bônus de subscrição (uma espécie de ação) em nome dos credores se houver alienação. Na assembleia, o representante do comitê de credores financeiros, Eduardo Mattar, disse que o bônus seria uma forma de compensar esses credores, os únicos a darem desconto de 50% nas dívidas. Para os pecuaristas, o plano prevê o pagamento de um valor mínimo de R$ 100 mil até 31 de janeiro de 2010, com possibilidade de prorrogação para 31 de março. O saldo será dividido em 24 meses.

Além da venda do controle, o plano de recuperação do Independência prevê a venda parcial de ativos num total de R$ 110 milhões para pagar dívidas com fornecedores. Afora isso, para que volte a operar outras unidades terá de recorrer a novos financiamentos. Segundo a empresa, foram retomadas atividades nas plantas de Santana do Parnaíba (SP), Janaúba (MG), Rolim de Moura (RO) e Cajamar (SP). O plano é que entre janeiro e junho de 2010 volte a operar mais sete unidades.

Pelas projeções do Independência, com a retomada seria possível alcançar receita bruta de R$ 1,638 bilhão em 2010. Em 2008, ano em que foi afetada pela crise internacional e queda das exportações, a empresa havia faturado R$ 2,2 bilhões.

A interrogação é grande em relação ao futuro do Independência, mas um ponto já está certo: depois de ter feito um aporte de R$ 250 milhões na empresa em novembro de 2008, a BNDESPar definiu que sairá do Independência porque considera “que o contrato não foi cumprido”. O banco iria colocar mais R$ 200 milhões na companhia quando esta pediu recuperação judicial.

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